Outra atividade resultante do desenvolvimento da vacina meningocócica C conjugada é o processo de produção em escala industrial. “Com isso, Bio-Manguinhos tem uma tecnologia que pode ser usada na produção de conjugados e continuamos expandindo a ideia para outros sorogrupos, consolidando uma plataforma de conjugação", acrescenta Ivna. O alcance do trabalho desenvolvido é resultado de uma equipe de profissionais treinados e com competência para transformar um produto potencial desde a bancada até escala de produção industrial. Além da equipe do Lateb,  o estudo permitiu a participação de vários profissionais de outros laboratórios das vice-diretorias de Qualidade, Desenvolvimento Tecnológico e Produção. 

Uma das colaboradoras envolvidas no desenvolvimento da vacina foi Renata Chagas (Laboratório de Macromoléculas/Lamam), que elaborou sua tese de doutorado descrevendo o escalonamento do processo produtivo da vacina. “Começamos em 2012 e comparamos alguns parâmetros das escalas piloto e industrial. Concluímos em 3 anos e vamos validar todo o processo de produção em 2016”, destaca.

Iaralice Medeiros de Souza, do Lateb sente-se orgulhosa de ter participado de todas as etapas e ter acompanhado a passagem da escala de laboratório e piloto para a escala de produção. “Foi uma oportunidade única de colaborar com a transição de uma vacina para o estágio industrial”, comemora.

Trabalhando no suporte e integração de espectros de ressonância magnética nuclear, Milton Neto da Silva, do Lateb, explica que a otimização já havia sido feita no início de 2012 e que o processo de escalonamento poderá ser reproduzido para outras vacinas conjugadas na Unidade. “É olhar para o que você se dedicou e ter a sensação de dever cumprido”, declara.

Desenvolvimento e perspectivas

Todo o processo de desenvolvimento da vacina conjugada contou com a participação de diversas equipes de Bio-Manguinhos. Uma das mudanças na história da produção das vacinas bacterianas em Bio ocorreu em 2004, quando passou a ser adotada a estrututura matricial, dentro da Gerência de Projetos.

Ellen Jessouroun, gerente do Programa de Vacinas Bacterianas (PVAB) já tinha ampla experiência em projetos de meningococo quando as equipes começaram a ser estruturadas para o novo desafio. “Entrei na Fiocruz em 1992 e acompanhei a proposta de desenvolvimento da vacina meningocócica C conjugada. Foi um projeto muito importante para a unidade, pois capacitamos grupos para trabalhar desde a bancada até a produção em escala industrial. Tudo isso feito na própria unidade”, aponta.

Um dos legados do desenvolvimento da vacina meningocócica C conjugada foi a criação de um laboratório piloto que pode ser usado para qualquer tipo de processo de desenvolvimento de vacinas, conclui a pesquisadora.

 

 

Jornalista e Imagem: Isabela Pimentel