Considerada um desafio na saúde pública, a doença meningocócica afeta principalmente países em desenvolvimento. No Brasil, em suas múltiplas variaçõess, é considerada endêmica. A principal dessas manifestações é a meningite, caracterizada como um processo inflamatório das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por bactérias, vírus, parasitas e fungos.

Neisseria meningitidis ou meningococo é uma das principais bactérias causadoras de meningite. Devido ao fato de o homem ser o único reservatório do meningococo e a transmissão ocorrer de pessoa a pessoa, por gotículas, secreções ou pelas vias respiratórias, é fundamental divulgar as formas de cuidado e prevenção, como, por exemplo, através da utilização de vacinas.

A história de Bio-Manguinhos está diretamente ligada à da produção da vacina meningocócica polissacarídica A e C.

 

 

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Confira as principais características da doença

O Instituto produz essa vacina desde a década de 1970, devido ao acordo de transferência de tecnologia com o Instituto Mérieux, da França, em um momento em que o país enfrentava uma epidemia da doença causada pelos sorogrupos A e C. De acordo com recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a vacina polissacarídica deve ser administrada em dose única e não é eficaz em crianças com menos de dois anos. Existem vários sorogrupos de meningococo: A, B, C, W-135, X e Y são os principais causadores de doença no mundo. 


Do depósito à patente

Ivna Alana da Silveira, do Laboratório de Tecnologia Bacteriana (Lateb) é uma das profissionais envolvidas no processo de desenvolvimento da vacina meningocócica C conjugada. Em Bio há 24 anos, ela destaca que as principais tendências mundiais apontaram para a substituição da vacina polissacarídica pela conjugada. A farmacêutica chegou em Bio como bolsista e começou a trabalhar no Laboratório de Bacterianas (atual Lateb e antigo Laba), que existia mesmo antes do Departamento de Vacinas Bacterianas (Debac).

O trabalho proposto, na época, fazia parte de uma iniciativa da unidade de desenvolver vacinas brasileiras contra o meningococo. Este era um interesse nacional que incluía outros Institutos de pesquisa no Brasil e teve o apoio do Dr. Akira Homma, na Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS) . “Iniciei no projeto ao lado da Ellen Jessouroun, como bolsista DTI que coordenava o desenvolvimento deste projeto em Bio. Nesta época, o componente C já seria uma vacina conjugada. Aceitei o desafio, estudei o assunto, buscando novas metodologias para obter conjugados e começamos pelo sorogrupo C, que nem tinha tanta relevância no país como tem hoje”, relembra.