Em Bio-Manguinhos, a campanha Outubro Rosa teve grande adesão e foi um sucesso (veja matéria aqui). Tanto homens quanto mulheres participaram das atividades de conscientização contra o câncer de mama e de colo do útero. Agora, chegou a vez do Instituto debater a saúde masculina com a campanha Novembro Azul, que relembra a importância do tema. Foram promovidas palestras e os colaboradores vestidos de azul tiraram uma foto em frente ao Centro Tecnológico de Vacinas.

As atividades tiveram início dia 25, quando especialistas debateram a fisiopatologia do câncer de próstata e as novas perspectivas para descrição de biomarcadores e tratamento da doença, lotando o auditório do Pavilhão Rocha Lima de colaboradores.

O projeto de Gestão do Conhecimento, por meio da Comunidade de Prática de Redes Colaborativas em Oncologia promoveu a palestra, convidando a especialista do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Etel Gimba e Ana Emilia Goulart, do Laboratório de Tecnologia Recombinante (Later).

O objetivo foi pensar novas estratégias terapêuticas e de biomarcadores. “Nós mostramos quais as modificações moleculares e celulares estão relacionadas ao câncer de próstata. Esse conhecimento acaba sendo revertido na proposta de novas moléculas que podem vir a ser utilizadas, como novos biomarcadores e alvos terapêuticos. Apresentamos também a experiência do nosso grupo de pesquisa. Fizemos um breve histórico de como o tratamento vem sendo desenvolvido desde o século XIX até este momento, quando estamos tentando aumentar a sobrevida do paciente, com um tratamento precoce”, enumerou Etel.

A melhor compreensão destes mecanismos tem permitido novas propostas de tratamento. “Apresentamos atuais moléculas sendo testadas como biomarcadores e alvos na terapia deste tumor, com enfoque especial no RNA codificaste PCA3, foco de nossos estudos. Mostramos os mecanismos moleculares possivelmente associados ao silenciamento do RNA não codificante PCA3 na modulação da sobrevivência de células de câncer de próstata. Ele já vem sendo utilizado nos Estados Unidos e Canadá com sucesso”, explicou Ana Emília.

Assim, a compreensão dos mecanismos pelos quais ocorrem alterações celulares e moleculares associados ao desenvolvimento da doença oferece importantes perspectivas para o diagnóstico e tratamento. “Trazer este debate para Bio é positivo no sentido de que sempre estamos fazendo pesquisas científicas aplicadas que avançam e geram produtos. Nesse caso, seria interessante, antes mesmo de produzir um biofármaco para pacientes com câncer, desenvolver um teste para diagnóstico, já que quanto antes a pessoa souber da doença, maior é a probabilidade de cura. Temos interesse em olhar novos alvos e inovar, seja através de transferência de tecnologia como desenvolvimento tecnológico próprio”, destacou o vice-diretor de Desenvolvimento Tecnológico, Marcos da Silva Freire.

 

 

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Etel Gimba (INCA) palestrou sobre novas estratégias terapêuticas e de biomarcadores 

 

Programação do dia 26

No dia seguinte, foi a vez da palestra “Diabetes (Ontem e Hoje / O que é importante para você e sua família / Obesidade)”, que teve o objetivo de discutir os principais problemas do diabetes, como se prevenir e tratar a doença e uma mostra do cenário brasileiro. O palestrante convidado foi o endocrinologista e cardiologista Izidoro Hiroki Flumignan. O Dia Mundial do Diabetes foi comemorado no último dia 14 e lembrou que o excesso de peso e o sedentarismo são as principais causas do diabetes tipo 2, que atinge 90% das pessoas com problemas em metabolizar a glicose. De acordo com a Federação Internacional do Diabetes, existem hoje 12 milhões de diabéticos no Brasil e 5 mil novos casos são diagnosticados por ano.

Para Izidoro, pode-se prevenir a doença com uma alimentação saudável e exercícios físicos. Mas, para quem já é diabético, é possível ter uma vida normal, basta ter controle para que a doença não piore. “Hoje em dia, não tem desculpa para se tratar: há insulina e remédios disponíveis gratuitamente em farmácias populares, atendimento em postos de saúde e muita informação à disposição dos pacientes. De todos os diabéticos, apenas 50% sabe que a possui e metade destes se tratam. Há uma negligência muito grande e é necessário mudar este quadro através da conscientização, principalmente as pessoas que possuem casos na família”, afirmou o especialista.

Já na parte da tarde, o urologista Leandro Prado Chaves trouxe muito conhecimento para os colaboradores de Bio ao abordar sobre a importância da próstata, diagnóstico e os benefícios de um tratamento precoce, processo de envelhecimento do órgão e o impacto na vida em família quando ocorre um caso da doença. Para ele, Bio promover esta discussão é de suma importância. “É uma iniciativa louvável fazer isso por seus funcionários. Mostra que se preocupa com sua saúde”.

Ele ressaltou em sua apresentação a importância que há na mudança de mentalidade em relação à saúde masculina nas últimas décadas. “É preciso destacar a importância que a mulher tem junto ao parceiro para aumentar a procura dos homens pelo exame preventivo, pois a doença afeta todo o seio familiar, sua estrutura sentimental e financeira. O ideal é procurar fazer o exame anualmente após os 50 anos e 45 anos (quem tem histórico familiar)”, lembrou Chaves.

 

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Leandro Prado Chaves trouxe muito conhecimento para os colaboradores de Bio

 

Sobre a doença

A última estimativa mundial apontou o câncer de próstata como sendo o segundo tipo mais frequente em homens. Estimam-se que sejam registrados 69 mil casos novos da doença no Brasil, em 2014. Esses valores correspondem a um risco estimado de 70,42 casos novos a cada 100 mil homens. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens em todas as regiões do país.

O único fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento do câncer de próstata é a idade. Aproximadamente 62% dos casos diagnosticados no mundo ocorrem em homens com 65 anos ou mais. Com o aumento da expectativa de vida mundial, é esperado que o número de casos novos de câncer de próstata aumente cerca de 60% até o ano de 2015. A cada 10 pacientes em países subdesenvolvidos, de 3 a 4 morrem da doença. Nos países desenvolvidos, a estatística é de 1 para 10.

 

Confira o álbum de fotos na fanpage de Bio no Facebook.

 

Jornalista: Gabriella Ponte
Imagens: Gabriella Ponte - Ascom / Bio-Manguinhos
Imagem da home: Eder Lobo - Dereh / Bio-Manguinhos

 

 

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