Trabalhando com a OPV há 32 anos

Helena Alves Becho Moura é atualmente a gerente da Divisão de Envase do Pavilhão Rocha Lima (Dieva-PRL), mas trabalha com a produção da vacina poliomielite oral há 32 anos. Helena fazia parte da primeira equipe de Bio-Manguinhos, ainda na época da transferência de tecnologia do Japão com Malu, e estava presente no momento da entrega do primeiro lote ao PNI, momento que ela recorda com carinho e sentimento de conquista.

 

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Helena conta que aprendeu muito com os japoneses. Imagem: Ascom/Bio-Manguinhos

 

“Aprendemos muito com os técnicos japoneses. E, de lá para cá, nunca paramos de produzir esta vacina, sempre atendendo a população brasileira. Neste caminho encontramos vários empecilhos, principalmente por conta da erradicação”, lembra Helena, que conta com uma equipe de sete pessoas, reforçando que a unidade sempre conseguiu cumprir as metas do PNI.

“O nosso laboratório foi um dos primeiros de Bio-Manguinhos e sempre lutamos para a erradicação da doença, conquistada no país há 20 anos. Com a mudança da vacina oral para a inativada, ainda pretendo estar presente no último lote que Bio entregará ao PNI, completando assim um ciclo, um pedaço importante da história da imunização da população brasileira contra a poliomielite”, concluiu Helena.

 

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Equipe da Divisão de Envase do Pavilhão Rocha Lima, coordenada por Helena.
Imagem: Ascom/Bio-Manguinhos

 

Transferência de tecnologia da IPV

A vacina inativada da poliomielite, fruto de um acordo de Bio com a Sanofi Pasteur, foi introduzida em agosto de 2012, em esquema sequencial com 2 doses de IPV e 2 doses da vacina oral. As doses da IPV visam minimizar o risco, que é raríssimo, de paralisia associada à vacina, e as da OPV, manter a imunidade populacional.

Com a primeira etapa do cronograma da transferência de tecnologia em andamento, profissionais do laboratório farmacêutico francês já realizaram visitas à Bio-Manguinhos com o objetivo de acompanhar o trabalho que está em andamento no Instituto relativo as segunda e terceira etapas do projeto. Na segunda etapa, o produto acabado terá rótulo e embalagem do Instituto.

A previsão de registro é setembro deste ano, como conta a gerente do projeto IPV, Giovana Labanca, que está acompanhando este processo há quase dois anos. “O produto, atualmente, é importado da Sanofi. Para obtermos o registro, que é mais vantajoso para o Brasil, ainda estamos adequando o produto em questões de controle de qualidade, que são muito rígidas. Para finalizar esta etapa, precisamos do relatório de validação da metodologia de controle de qualidade para entregarmos à Anvisa”, ressaltou Giovana.

O restante do processo de transferência de tecnologia ainda vai demorar alguns anos, o que é comum devido às inúmeras adequações a serem realizadas. “A terceira etapa, quando Bio fará a formulação, envase, rotulagem, acondicionamento e liberação da vacina, tem a obtenção do registro final previsto para 2019, no máximo 2020”, adiantou a gerente.

 

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Reunião entre Sanofi e Bio. Foto tirada em 2013. (Ascom/Bio-Manguinhos)