O Ministério da Saúde divulgou em 19 de novembro os 10 eixos prioritários para nortear a futura campanha de vacinação da população brasileira contra o vírus Sars-CoV-2, prevenindo que a mesma desenvolva a doença COVID-19.

De acordo com a pasta, o objetivo é imunizar os grupos com maior risco de desenvolver complicações e óbitos pela doença e as populações mais expostas ao vírus, assim que uma vacina candidata demonstre segurança e eficácia nos estudos clínicos, seja registrada na Anvisa e disponibilizada pelo laboratório produtor.

Ao apresentar os 10 eixos, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), Arnaldo Medeiros, ressaltou que a definição deste público-alvo prioritário para as primeiras doses disponibilizadas será detalhado apenas após a conclusão dos estudos de fase 3 dos imunizantes em teste. “Só assim conseguiremos avaliar em quais grupos (a vacina) teve maior eficácia”, explicou Medeiros.

O documento com 10 eixos foi elaborado em trabalho coletivo que contou com as participações da Câmara Técnica Assessora em Imunizações e Doenças Transmissíveis e instituições que auxiliaram na definição dos grupos de risco, estratégia de vacinação, atualização os estudos sobre a doença, dentre outros aspectos que precisam ser considerados.

São elas: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Nacional de Controle e Qualidade em Saúde (INCQS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Butantan, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), sociedades médicas, conselhos federais da área da saúde, a ONG Médicos Sem Fronteiras e integrantes dos conselhos nacionais de secretários estaduais e municipais de Saúde (Conass e Conasems, respectivamente).

Os 10 eixos prioritários

De acordo com o Ministério da Saúde, são estes os 10 eixos prioritários que definirão a estragégia de vacinação contra a COVID-19:

Eixo 1 – Situação Epidemiológica

O primeiro eixo busca identificar grupos de maior risco para adoecimento, agravamento e óbito pela Covid-19. Dentre os grupos prioritários estão: idosos e pessoas com comorbidades (Diabetes, HAS, Doenças cardíacas/cerebrovasculares, DPOC, Renal, Obesidade, Câncer, Transplantado e Anemia Falciforme).

Segundo Medeiros, profissionais de saúde também foram considerados grupos de risco. “Estamos priorizado a manutenção do funcionamento dos serviços de saúde e esses trabalhadores estão entre os grupos mais expostos ao vírus”, afirmou.

Neste eixo, a Pasta também avalia as condições de armazenamento e duração da vacina e os dados de segurança. Em relação à armazenagem dos imunizantes, as especificações serão orientadas pelo laboratório fornecedor.

Toda a rede de frio do Brasil dispõe de equipamentos para armazenamento de vacinas a -20°C, com exceção da instância local - que são as salas de vacinas e onde o armazenamento se dá na faixa de controle de +2°C a +8°C. Atualmente, o padrão de vacinas no mundo segue orientações de armazenamento entre +2°C e +8°C.

Eixo 2 – Atualização das vacinas em estudo

Dos mais de 400 projetos de vacina em desenvolvimento, cerca de metade estão registrados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - dos quais 154 estão no estágio de pesquisa pré-clínica (em animais) e 44 de estudo clínico (em seres humanos), com 10 dos mesmos em fase 3. Neste eixo, o Ministério da Saúde pretende acompanhar as plataformas em estudo, o panorama geral de vacinas em desenvolvimento e a descrição das vacinas brasileiras.

Eixo 3 – Monitoramento e orçamento

Avaliação da vacina – se a mesma entrará como rotina no calendário nacional de vacinação ou se em modelo de campanha anual - e os custos dessa operacionalização.

Eixo 4 – Operacionalização da campanha

Acompanhar a estratégia de vacinação, a distribuição de doses por unidade federada e público-alvo, meta, fases e prioridades.

Eixo 5 – Farmacovigilância

Monitoramento dos possíveis eventos adversos pós-vacinação após o licenciamento da vacina.

Eixo 6 – Estudos de monitoramento e pós-marketing

Estudos de efetividade e segurança como, por exemplo, a vacinação inadvertida de gestantes. 

Eixo 7 – Sisitema de informação

Garantir a rastreabilidade das vacinas através de sistemas como o DataSUS, obtendo assim o registro nominal da população como forma de avaliar a cobertura vacinal e o acompanhamento de possíveis eventos adversos pós-vacinação.

Eixo 8 – Monitoramento, supervisão e avaliação

Definir indicadores para avaliação da estratégia de vacinação, de sua execução até os resultados.

Eixo 9 – Comunicação

Definir plano de comunicação da campanha de vacinação, com informação sobre o processo de produção e aprovação de uma vacina, informação sobre a vacinação, os públicos prioritários, dosagens, dentre outros temas.

Eixo 10 - Encerramento da campanha

Avaliação dos resultados da futura Campanha.

 

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Jornalista: Paulo Schueler, com informações do Ministério da Saúde. Imagem: Jcomp, Freepik.