movimento anti vacina fake newsEm 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já listava a “hesitação em relação às imunizações” entre os 10 maiores desafios de saúde pública global, após o número de casos de sarampo triplicar no mundo, em relação a 2018. Segundo a OMS, esta hesitação, fruto da desinformação e compartilhamento das chamadas fake news, “ameaça reverter o progresso feito no combate às doenças evitáveis por meio de vacinação”.

Durante a pandemia da COVID-19, estes grupos não retrocederam – e o estrago que fazem colaboram para o que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) definiu como “infodemia”, a pandemia da desinformação.

Para a Organização das Nações Unidas (ONU), as fake news sobre o novo coronavírus são “mais mortais que qualquer outra desinformação”, pois diante do cenário de uma pandemia para a qual ainda não há imunizante ou medicamento, “o acesso a informação confiável pode significar a vida ou a morte”.

Os antivacina não estão sozinhos na disseminação deste “vírus” – outros agrupamentos distorcem conteúdos científicos e jornalísticos, espalham teorias da conspiração, oferecem falsas curas. Pesquisa da ONU com o Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, na sigla em inglês) relata a disseminação de acusações sem qualquer lastro na realidade, começando pela de que o Sars-Cov-2 “é uma arma biológica para instituir uma nova ordem mundial”, passam pelo absurdo de que a vacina contra influenza é responsável pela COVID-19 e terminam com a sugestão irresponsável de que a doença pode ser curada por meio da frequência do cobre – passando ainda pela “culpa das redes 5G”, compartilhamento de estatísticas falsas, a sugestão de que o isolamento social não é economicamente justificado e até mesmo a “afirmação” de que a COVID-19 está criando empregos.

No caso específico dos antivacina, o estrago começa a ser mensurado até mesmo antes da disponibilização de uma vacina para a COVID-19: estudo publicado na Lancet indica que 26% dos franceses não tomariam a vacina se ela já existisse; trabalho conduzido pela Universidade de Cambridge aponta que 12% dos cidadãos do Reino Unido não se vacinariam e 18% tentariam influenciar seus conhecidos a não fazê-lo; e pesquisa da Reuters revela que 1 a cada 4 pessoas nos Nos Estados Unidos – impressionantes 25% da população – não tem interesse em se vacinar contra a COVID-19. No Brasil, pesquisa da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Avaaz feita em 2019 revelou que sete em cada 10 brasileiros acreditam em alguma desinformação acerca das vacinas.

Informação cientificamente comprovada, a vacina contra a “infodemia”

A Unesco publicou o Manual da Unesco sobre Fake News, ensinando que perguntas as pessoas devem se fazer ao lidarem com algum conteúdo que pareça fantasioso. A organização produziu ainda série de mensagens de áudio e liberou seu uso para as estações de rádio do mundo inteiro como instrumento de combate à desinformação sobre a COVID-19. Segundo o organismo, a disponibilização é livre “para ajudar a interromper os danos causados pela infodemia, ou epidemia de informação, que acompanha o vírus. As curtas mensagens de áudio (disponíveis em várias línguas, incluindo o português) fornecem informações úteis sobre medidas preventivas, esclarecem mitos sobre o vírus e destacam a importância da não discriminação e da solidariedade”.

No Brasil, desde 2018 o Ministério da Saúde possui o canal Saúde Sem Fake News para desmentir boatos sobre os temas ligados à saúde. A pasta oferece ainda o whatsapp, através do número (61) 99289-4640, para fornecer respostas sobre as dúvidas dos cidadãos.

Em 2019, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou o evento As Relações da Saúde Pública com a Imprensa: Fake News, e o material está disponível em uma série de vídeos no Youtube.

O Portal da Fiocruz possui uma seção sobre o coronavírus, com informações precisas e material para download e compartilhamento nas redes sociais; e a Agência Fiocruz de Notícias possui um Especial sobre Vacinação com seções com Fatos e Boatos, Perguntas e Respostas, e o artigo A ameaça da baixa cobertura vacinal pelo SUS, dos assessores científicos de Bio-Manguinhos Akira Homma e Cristina Possas, que explica a necessidade da manutenção de altas taxas de cobertura vacinal.

Em nosso site, oferecemos a sessão Perguntas frequentes sobre vacinas e também explicações específicas sobre as vacinas virais e as vacinas bacterianas.

 

Acesse o especial sobre coronavírus do site de Bio-Manguinhos

 

Jornalista: Paulo Schueler. Imagem: Freepik