vacinas bacterianas

 

As vacinas bacterianas podem ser constituídas por células inteiras inativadas, por subunidades que se caracterizam por estruturas que fazem parte da célula bacteriana. Podem também constituir vacinas bacterianas, moléculas purificadas como polissacarídeos capsulares, proteínas nativas ou mesmo recombinantes. Com o advento da vacinologia reversa, diversas proteínas identificadas como alvos importantes em infecções bacterianas, estão sendo expressas em diferentes vetores, purificadas e testadas como alvos vacinais potenciais.

Embora sejam muito variadas as estratégias para obtenção de vacinas bacterianas seus componentes normalmente são obtidos por cultivo da bactéria nativa ou recombinante em biorreatores cujo tamanho pode variar dependendo do rendimento de cada processo adotado. As condições de cultivo adotadas nestes equipamentos buscam simular o ambiente ideal de crescimento bacteriana com foco na possibilidade de obtenção dos antígenos o mais próximo possível de como ele aparece durante as diferentes fases da infecção bacteriana.

Como todas as vacinas, as bacterianas buscam induzir no ser humano ou nos animais uma resposta protetora, duradoura e que também possa diminuir a circulação do patógeno alvo nas populações vacinadas. Dependendo da vacina e do alvo da vacinação isto pode se traduzir em um repertorio especifico de anticorpos que impedem a instalação da doença ou a presença de células especificas que respondem rapidamente contra as infecções. Com o avanço das tecnologias de produção, apresentação, novos adjuvantes e esquemas de imunização, cada vez mais existem vacinas bacterianas mais eficientes como as vacinas conjugadas contra infecções muito graves como as meningites por H.influenzae, S.pneumoniae e N.meningitidis. Outras doenças causadas por bactérias como a coqueluche , a difteria e o tétano tem sido controladas através de rotinas de vacinações desde a primeira infância. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é o responsável pela vacinação das crianças, adolescentes e adultos com a vacina tríplice bacteriana juntamente com outras vacinas não bacterianas como tríplice viral, poliomielite e rotavirus.

Com o fenômeno atual, mundial de desenvolvimento de multirresistência bacteriana aos antibióticos disponíveis existem várias iniciativas para intervir neste problema sendo uma delas a busca por vacinas bacterianas cujos alvos principais são as terapias de vacinação ativa ou a imunização passiva onde se utiliza anticorpos específicos contra estes microrganismos. Neste caso, é possível a incorporação das tecnologias desenvolvidas para obtenção de vacinas clássicas, a otimização dos processos de imunização e avaliação da resposta imune induzida.

O acompanhamento das novas tecnologias de produção de componentes de origem bacteriana por Bio-Manguinhos, através da obtenção de vacinas de células inteiras, subunidades e mais recentemente de vacinas conjugadas contra bactérias capsuladas tem permitido ao Instituto desenvolver competências para a definição do alvo vacinal até testes em seres humanos para obtenção de novas vacinas. Esta pratica tem permitido ao grupo técnico atuar no desenvolvimento autóctone (vacinas contra N.meninigitidis) como produtos oriundos de transferência de tecnologia como as vacinas contra H.influenzae e S.pneumoniae que fazem parte do portfolio da Instituição.

 

  • Como surgiram as vacinas?
    No século XVIII, Edward Jenner descobriu a vacina antivariólica, a primeira de que se tem registro. Ele fez uma experiência comprovando que, ao inocular uma secreção de alguém com a doença em outra pessoa saudável, esta desenvolvia sintomas muito mais brandos e tornava-se imune à patologia em si, ou seja, ficava protegida. Jenner desenvolveu a vacina a partir de outra doença, a cowpox (tipo de varíola que acometia as vacas), pois percebeu que as pessoas que ordenhavam as vacas adquiriam imunidade à varíola humana. Consequentemente, a palavra vacina, que em latim significa “de vaca”, por analogia, passou a designar todo o inóculo que tem capacidade de produzir anticorpos.
  • Existem vacinas para todas as doenças?
    Ainda não, mas instituições do mundo inteiro vêm investindo cada vez mais nos processos de pesquisa e desenvolvimento de novas vacinas.
  • Existem novos projetos de vacinas em desenvolvimento?
    Duas grandes linhas regem as atuais atividades de desenvolvimento do Instituto: atualização das tecnologias e introdução de vacinas combinadas. Dentro da perspectiva do desenvolvimento de produtos baseados na tecnologia do DNA, Bio-Manguinhos fez, nos últimos anos, uma opção tecnológica da maior importância para a Fiocruz. O Instituto está investindo em projetos voltados para a produção de proteínas recombinantes em células eucarióticas e procarióticas para o desenvolvimento de vacinas de DNA. O domínio dessas promissoras tecnologias é imprescindível para o Brasil, particularmente dentro do moderno contexto do desenvolvimento de vacinas e reagentes, pois elas serão determinantes para o desenvolvimento e a produção de imunobiológicos neste novo século. É importante ressaltar que a capacitação interna de Bio-Manguinhos vem abrindo oportunidades e aumentando as possibilidades de cooperação para a instituição, tanto nas vacinas bacterianas quanto nas recombinantes.
  • Do total de vacinas produzidas no Brasil, quantas são fabricadas diretamente por Bio-Manguinhos?
    Em 2013, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos respondeu por 47% das vacinas produzidas no Brasil e usadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em 2012, o Instituto foi responsável por aproximadamente 57% das vacinas adquiridas pelo PNI junto aos produtores nacionais. *Dados atualizados em agosto de 2014
  • Por que a vacina meningite A e C não é encontrada em postos de vacinação?
    Porque a vacina produzida por Bio-Manguinhos é polissacarídica, que não é eficaz em crianças menores de dois anos. A aplicação deste imunizante deve ser em “massa” para evitar que uma epidemia dure vários anos.
  • Qual a capacidade de produção de vacinas de Bio-Manguinhos?
    A capacidade produtiva da unidade é de aproximadamente 150 milhões de doses de vacinas por ano*. *Dados atualizados de agosto de 2014.
  • Quais as vacinas produzidas por Bio-Manguinhos?
    O Instituto produz as vacinas: DTP e Hib (também chamada vacina tetravalente: combinada contra difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus influenzae b); Hib (Haemophilus influenzae b); meningocócica A e C; pneumocócica 10-valente; febre amarela; poliomielite oral; poliomielite inativada; sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral); tetravalente viral (varicela, sarampo, caxumba e rubéola); e rotavírus humano.
  • Como posso me vacinar
    No Brasil, as vacinas dos três calendários obrigatórios do Programa Nacional de Imunizações (PNI) são oferecidas gratuitamente nos postos de vacinação de todo o país ou por equipes de vacinadores, que levam os produtos a áreas de difícil acesso periodicamente. Em algumas ocasiões, são realizadas campanhas de vacinação.
  • Quais doenças foram erradicadas através da vacinação?
    No Brasil, a vacinação foi responsável pela erradicação da varíola e da poliomielite (paralisia infantil).
  • Quais as vantagens de utilizar vacinas?
    As vacinas são mais úteis e mais efetivas no controle de doenças infecto-contagiosas do que o uso de medicamentos para sua cura, além de serem um método mais barato para controle da saúde pública.
  • Contra que doenças as vacinas protegem?
    As vacinas previnem contra diversas doenças causadas por vírus e bactérias, também conhecidos como micróbios.