Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde sediou, em Brasília, reunião do grupo de trabalho que cuida da parcela brasileira do Relatório da Resposta Global à Aids, do Unaids.

Representantes do departamento, de outras áreas do Ministério da Saúde e do governo estiveram em encontro com membros de movimentos sociais, de estados e municípios e da academia, além de representantes do Unaids e de outras agências da ONU.

Os participantes analisaram os esforços brasileiros entre 2014 e 2015 e os dados demonstram o progresso da luta contra o HIV no último ano. “O grupo de trabalho se debruçou sobre as informações, dados, perspectivas e desafios e conseguiu ter uma visão do relatório do Brasil. O documento não terá apenas a posição do Unaids, ou do governo, mas a de vários setores que constroem a resposta à epidemia”, afirmou o diretor do departamento, Fábio Mesquita, na abertura dos trabalhos.

Segundo a coordenadora da Unaids no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, o Relatório da Resposta Global à Aids é um dos mais colaborativos do mundo, no universo das Nações Unidas. “Dos 193 países membros, 180 constroem este relatório”, disse. E o Brasil, afirmou, “sempre faz um dos melhores relatórios do mundo”. 

 

Metas

O Brasil tem até 2020 para atingir a meta 90-90-90 estabelecida pelo País, perante a ONU, e que foi assumida também recentemente pelo bloco dos Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e por outros países.

A meta consiste em ter 90% das pessoas com HIVdiagnosticadas; deste grupo, 90% seguindo o tratamento; e, dentre as pessoas tratadas, 90% com carga viral indetectável. A meta mundial prevê novas infecções limitadas a 500 mil ao ano e zero discriminação.

 

Novos números

Na reunião, Mesquita apresentou novos números da luta contra a Aids no Brasil, demonstrando que o País avança em relação ao cumprimento da meta.

A estimativa é que 734 mil pessoas vivam com o HIV em território nacional. Destas, 589 mil estão diagnosticadas (dados de 2013). Entre os diagnosticados, já aderiram ao tratamento com antirretrovirais 404 mil pessoas (49 mil delas somente no ano passado), e dentre os pacientes tratados, 338 mil encontram-se com a carga viral indetectável (45 mil deles somente em 2014).

Para Mesquita, os resultados já são fruto da prevenção combinada do HIV, que passou a ser adotada a partir de 2013 e envolve, além do departamento de Aids, as Secretarias de Vigilância em Saúde e Atenção à Saúde.

Além do uso da camisinha, a prevenção combinada inclui o tratamento antirretroviral, a testagem regular do HIV, a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP Sexual), o exame de HIV no pré-natal, medidas de redução de danos entre pessoas que usam álcool e outras drogas e o tratamento de outras DSTs.

As ONGs que lidam com as populações vulneráveis ao HIV - jovens, gays, transexuais, profissionais do sexo, pessoas que usam drogas e homens que fazem sexo com homens - trabalham com a conscientização desse público e trazem informações importantes para as áreas do departamento que envolvem prevenção, tratamento e adesão. “É fundamental que cada grupo fale com seus pares, pois assim as informações são mais bem compreendidas. Por isso, é muito importante a formação de novos líderes que estamos desenvolvendo”, afirmou Mesquita.

 

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Apoio

Lideranças de ONGs que integram o GT do GARPR elogiaram as iniciativas do departamento na luta contra a Aids. “Estamos de acordo com a política da prevenção combinada. A PEP Sexual e a Prevenção Combinada são ferramentas de redução de danos importantíssimas quando vamos trabalhar com pessoas que usam álcool e outras drogas, uma população que está fora de qualquer serviço de saúde”, afirmou Daniela Trigueiros, da Rede Brasileira de Redução de Danos (REDUC).

O coordenador-adjunto da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), Salvador Correia, afirmou que a “escolha do governo federal pela prevenção combinada é uma decisão acertada.”

Para ele, o próximo passo é a implementação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no SUS, a qual passa por dois avançados estudos, na Fiocruz e na Faculdade de Medicina da USP, ambos financiados pelo Ministério da Saúde. A ABIA pediu, ainda, cautela na incorporação da Atenção Básica na rede de tratamento.

O presidente da ABLGT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Carlos Magno, destacou a campanha de prevenção#partiuteste. “Foi uma retomada. É preciso parabenizar”, disse. 

Com relação à meta de zero discriminação, os representantes das ONGs foram consensuais em dizer que há muito a se avançar no Brasil para diminuir o estigma existente em relação às pessoas vivendo com o HIV.

Como exemplo dessa permanente discriminação, representantes de todos os setores presentes citaram a matéria exibida pelo Fantástico, no último domingo, sobre os barebackers do Clube do Carimbo, a qual contribuiu para acirrar o preconceito contra quem vive com o HIV

Contudo, duas medidas adotadas pelo País nesse campo do combate à discriminação foram elogiadas: as novas diretrizes para perícia médica de pessoas com HIV, lembrada por Renato da Matta, do Fórum de ONGs de Aids do Rio de Janeiro, e a lei, aprovada no ano passado, que proíbe a discriminação das pessoas com HIV no trabalho.

 

Fonte: Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
Imagem da matéria: Ministério da Saúde
Imagem da home: Ecns.cn

 

 

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