Os estudos clínicos do biofármaco alfainterferona peguilado estão na fase 2/3, fase em que será testada a eficácia do medicamento, assim como a sua segurança. Porém, mais do que um simples término de uma etapa, tal fato tem uma dimensão muito maior: o país caminha, por meio do desenvolvimento conjunto entre Bio-Manguinhos e o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia, de Cuba, para a produção do primeiro biofármaco brasileiro.

À frente dos estudos como investigador principal está o médico Paulo Picon, consultor de Bio-Manguinhos na área de biofármacos desde 2004, quando da primeira visita do Instituto a Cuba. “Fui convidado pelo então diretor Akira Homma para avaliar o portfólio de medicamentos produzidos em Cuba sob o prisma clínico. Desde então trabalho no projeto do interferon”, explicou Picon. Para ele, o grande diferencial deste projeto é a chance de um laboratório público brasileiro se apropriar da tecnologia, abrindo novas possibilidades para o desenvolvimento de outros medicamentos.

 

paulo-piconO médico Paulo Picon é consultor e investigador-chefe do estudo clínico do BIP
Imagem: Byron Prujansky 

 

Para dar continuidade aos estudos clínicos, o projeto vem recrutando voluntários. O número, porém, ainda não é suficiente: o grupo ainda precisa preencher 44% das vagas. Essas pessoas poderão participar do estudo sobre a hepatite C em 18 centros de pesquisa com qualificação em hepatologia espalhados em sete estados (PE, BA, RJ, SP, GO, RS, e PR). “Precisamos de pacientes portadores do vírus da hepatite C. É fundamental que os voluntários tenham entre 18 e 70 anos e não tenham recebido nenhum tratamento anterior”, explica o médico.

O projeto alfainterferon peguilado pode facilitar o tratamento para mais de 3 milhões de pessoas infectadas pela doença. O contágio acontece através de sangue, materiais contaminados ou por relações sexuais e ataca o fígado. Com diagnóstico tardio pode evoluir para cirrose ou câncer e o destino do paciente será a fila do transplante. Cerca de 95% dos casos não apresenta sintomas, e quando o diagnóstico chega, pode ser tarde demais.

A sua participação neste estudo pode mudar vidas. Para se voluntariar, além de atender aos requisitos do estudo (idade entre 18 e 70 anos e não ter se submetido a tratamento anterior contra a hepatite), basta procurar um dos centros conveniados ao estudo. Clique aqui e veja a relação com os nomes e endereços.

 

 

Jornalista: Rodrigo Pereira

 

 

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