Aclamado internacionalmente por ter criado um programa de prevenção e tratamento considerado progressista e inclusivo, o Brasil vive um momento delicado no que se refere à prevenção de novos casos. Segundo o Boletim Epidemiológico em HIV/Aids de 2013, divulgado pelo Ministério da Saúde, entre 2003 e 2012 a incidência de casos de Aids no Norte brasileiro apresentou um aumento de 92,7%; no Nordeste, foi de 62,6%. Por outro lado, as regiões Sul e Sudeste, que concentram a maior parte dos casos diagnosticados, apresentaram um recuo de 0,3% e 18,6%, respectivamente.

Outro fenômeno demostrado no Boletim Epidemiológico é a interiorização da epidemia de HIV/Aids. Inicialmente concentrada nas grandes capitais das regiões Sul e Sudeste, a Aids avançou no Norte e Nordeste brasileiro. Apesar do crescimento da epidemia, o Brasil pode reverter o quadro. Para isso, basta mirar as ações do passado e lembrar que, apesar dos avanços trazidos pelos medicamentos, a Aids ainda não tem cura e que o tratamento da doença não consiste apenas em se medicar.

 

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Ministério da Saúde divulga dados importantes sobre a doença


Teste rápido e capacitação de profissionais


Para alcançar pessoas mais vulneráveis à infecção pelo HIV/Aids e fazer com que tenham acesso rápido ao diagnóstico, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde (DDAHV/MS) iniciou em 2014 o projeto Viva Melhor Sabendo, que consiste na testagem rápida por meio de fluido oral aplicado pelas ONGs que compõem o projeto. A iniciativa buscou a parceria com ONGs porque essas instituições conseguem ter acesso maior às populações mais vulneráveis à infecção pelo HIV/Aids do que os serviços de saúde.

O teste rápido é produzido por Bio-Manguinhos que, entre os meses de abril e novembro de 2014, entregou 41.289 kits ao Ministério da Saúde. De acordo com a assessoria de imprensa da unidade, Bio-Manguinhos também ajudou na realização dos exames e participou da realização de oficinas para capacitar os profissionais das ONGs para poderem aplicar o teste em campo. Além disso, seis colaboradores da unidade, cinco do Laboratório de Controle de Reativos (Lacore) e um do Departamento de Reativos para Diagnóstico (Dered), acompanharam as aplicações do teste em campo, como em pontos de prostituição, iniciadas em março deste ano.

Para fazer o teste, é preciso que a pessoa evite ingerir alimento ou bebida, fume ou inale qualquer substância, escove os dentes e use antisséptico bucal nos 30 minutos anteriores. Também é preciso retirar o batom e evitar atividade oral que deixe resíduo. O fluido do teste oral é extraído da gengiva e da mucosa da bochecha com o auxílio da haste coletora descartável. Quando surge uma linha vermelha, significa que não é reagente. Caso apareçam duas linhas daquela cor, indica que na amostra há anticorpos anti-HIV, ou seja, o teste é positivo. O resultado sai em até 30 minutos.

 

 

Jornalista: Claudio Oliveira - Portal Fiocruz

Imagem: eMedical News

 

 

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