Cerca de 50 colaboradores participaram de um encontro entre as Comunidades de Prática de Plataforma Vegetal e Redes Colaborativas em Oncológicos, dia 10 de setembro, no auditório José Roberto Salcedo Chaves(Rocha Lima). Foi a primeira vez em que duas comunidades de práticas se reuniram para discutir um assunto comum. O objetivo foi debater a produção de produtos oncológicos, especialmente os anticorpos monoclonais, em plataformas vegetais, já prevendo o aproveitamento das instalações da Planta de Plataformas Vegetais que está sendo projetada por Bio-Manguinhos no Campus Ceará, em Eusébio. As Comunidades de Práticas (CoP) são espaços que reúnem funcionários para estimular o debate de temas estratégicos. O projeto foi lançado pela Gestão do Conhecimento (GC), em 2013. 

A utilização deste tipo de anticorpo tem como objetivos atacar seletivamente os tumores, mantendo uma toxicidade aceitável e a geração de resposta imune antitumoral persistente. A eficácia clínica desses anticorpos para tratar o câncer também foi discutida. A apresentação, feita por Aline de Almeida, do Laboratório de Tecnologia Recombinante (Later) e Daniel André Ribeiro, da vice-diretoria de Produção (VPROD), mostrou que o Brasil ainda está no início do conhecimento de como a terapia de anticorpos gera resposta clínica. Portanto, o desafio é conhecer os mecanismos de ação para melhorar a resposta. Eles ressaltaram que os anticorpos monoclonais terapêuticos representam 30% de todos os biofármacos em desenvolvimento nas indústrias farmacêuticas.

 

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Aline apresentou produtos com esses tipos de anticorpos e que estão em fase

clínica ao redor do mundo. Imagem: Gabriella Ponte / Ascom - Bio-Manguinhos

 

Um dos aspectos mais debatidos foi o fato da terapia com anticorpos monoclonais ser de alto custo. A produção de produtos oncológicos em plataformas vegetais tem as vantagens do fácil escalonamento; possibilidade de diferentes tipos de administração; e, com relação a segurança, não produzem toxinas como bactérias, nem suportam a proliferação de vírus e príons infecciosos para humanos, como as células de mamífero. Como desvantagem, apontaram a ausência de regulamentação específica, que levou ao atraso do desenvolvimento clínico.

É preciso salientar que alfataliglicerase, o biofármaco que combate a doença de Gaucher, foi o primeiro produto de plataforma vegetal aprovado para uso em humanos pelo Food and Drug Administration (FDA)”, comentou Aline. Ela também mostrou o tratamento experimental que está sendo utilizado contra a infecção pelo vírus ebola, produzido em folhas de tabaco em um sistema bastante semelhante ao que será utilizado na planta de Bio-Manguinhos no Ceará.

Concluindo o encontro, foram apresentados alguns dos produtos com esses tipos de anticorpos e que já estão em fase clínica ao redor do mundo, como Avicidin (produzido em milho para combater o câncer coloretal), BLX-301 (produzido na planta aquática Lemna minor para o tratamento de linfoma de Hodgkin) e 2G12 (anticorpo neutralizante anti-HIV expresso em tabaco).

 

Jornalista: Gabriella Ponte

 

 

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