RAFAEL-RESENDESe você pensa que proteínas são algo distante da realidade, está enganado. Essas moléculas correm em suas veias, na forma de albumina, e encontram-se em uma grande variedade de alimentos. Combinadas, podem ser usadas para fins terapêuticos e na composição de diversos produtos, como a alfainterferona 2b, produzida por Bio e indicada no tratamento de doenças graves, como as hepatites crônicas. 

O tecnologista em Saúde Pública do Departamento de Reativos para Diagnóstico (Dered), Rafael Resende, conhece bem o tema e elegeu o baculovírus, um vírus com DNA de fita dupla, como meio para obtenção de proteínas integrais, em um sistema que permite trabalhar com diversos equipamentos em paralelo, o High-Throughput. Ele apresentou os resultados deste trabalho no Encontro Tecnológico (linha Conexão Tecnológica), promovido pela Gestão do Conhecimento, em 11 de junho. “É difícil trabalhar com proteínas recombinantes, o custo é alto”, afirma Resende, que foi um dos premiados no II Seminário Anual Científico e Tecnológico em Imunobiológicos de Bio-Manguinhos.

 

Alto rendimento

Em seu estágio de pós-doutorado no Departamento de Clínica Médica de Nuffield, da Universidade de Oxford, Inglaterra, ele também estudou a importância dos transportadores ATP. “Devido a dificuldade de trabalhar com proteínas de membranas, escolhemos o baculovirus como meio e em pouco mais de duas semanas, conseguimos a produção de proteínas recombinantes, com altos níveis de expressão, que podem ser usadas em sistemas High-Throughput e são recomendadas para escalonamento”, comemora.

Resende explicou os resultados da pesquisa, que teve a duração de um ano e comprovou que o uso deste sistema, aliado à automação mecânica, permite aumento do rendimento e eficácia e se constituiu como ferramenta essencial na seleção de candidatos em centros de Biologia Estrutural e Farmacogenética. “Conhecendo melhor a estrutura da proteína, seremos capazes de produzir drogas mais especificas, como biofármacos”, acrescenta.

 

Maior afinidade

Elencando as vantagens do uso das proteínas recombinantes, expressas por sequências de aminoácidos com alta afinidade por um ligante químico ou biológico específico (tags de afinidade), ele mostrou dados de centros de genômica estrutural, segundo os quais mais da metade de todas as proteínas recombinantes se acumulam na forma insolúvel. “Os tags podem ajudar a mudar esse quadro, pois aumentam o rendimento, eficiência e a solubilidade, facilitando que a proteína seja acoplada”, concluiu.

 

Sobre o palestrante

Rafael de Oliveira Resende é doutor em Imunologia e Parasitologia Aplicadas pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU-MG). Tem experiência em seleção de alvos protéicos para imunoterapia alergênica, avaliação da resposta imune humoral em doenças infecciosas e autoimunes e produção de conjugados e anticorpos para diagnóstico.

 

 

Jornalista: Isabela Pimentel 

 

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