A Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou estado de emergência contra a poliomelite depois de notar o aumento no número de casos em uma dezena de países. Destes, três têm risco maior de propagação: Paquistão, Camarões e Síria. Esta é a segunda vez que o órgão declara um alerta global contra uma doença. A primeira ocorreu em 2009 para controlar a gripe H1N1.

O órgão ressalta que 60% dos casos ocorreram por intercâmbio de adultos entre esses países. “Se nada for feito, esta situação pode prejudicar o processo de erradicação mundial de uma das mais graves doenças evitáveis por vacinação”, alertou em comunicado.

— O surgimento de casos nestes países é motivo de alerta, não só para o Brasil, mas para o mundo. Essa é uma das doenças que a OMS vinha trabalhando para erradicar — afirma Artur Couto, diretor de Bio-Manguinhos, unidade produtora de vacinas da Fiocruz.

— Teremos a Copa, com a chegada de turistas, e há uma preocupação de não importar casos de países onde a doença foi identificada.

Ainda assim, Couto ressaltou que a população brasileira está protegida: — Há países que têm dificuldade de manter a campanha de vacinação, ao contrário do Brasil, que está muito bem provido nesta área.

A poliomelite está erradicada desde 1990, e a cobertura de vacinação é de 95% no país, segundo o Ministério da Saúde. O órgão afirma não haver qualquer recomendação por parte da OMS para que medidas sejam tomadas no intuito de acompanhar o trânsito de viajantes. Apenas recomenda aos brasileiros que queiram visitar os países sob ameaça que mantenham atualizada a vacinação, ofertada de graça nos postos de saúde.

 

polio-EFE

Criança é imunizada contra poliomielite na Síria - Imagem: Agência EFE

 

Foram afetados Afeganistão, Camarões, Guiné Equatorial, Etiópia, Israel, Nigéria, Paquistão, Somália e Síria. Neste último caso, por exemplo, a dificuldade de vacinação ocorreu “devido à interrupção dos serviços de saúde e das condições de vida” provocados pela guerra civil.

A doença afeta principalmente crianças abaixo dos 5 anos. Um em cada 200 infectados pode sofrer de paralisia irreversível; de 5% a 10% dos pacientes morrem quando seus músculos respiratórios ficam imobilizados. A prevenção se dá apenas por meio da vacinação.

Segundo a OMS, o vírus é transmitido por água e comida contaminados e se multiplica no intestino, de onde pode seguir para o sistema nervoso.

— Na década de 1970, sofremos uma epidemia de poliomelite no Brasil. Na época, foi chocante, as autoridades, no caso os militares, ficaram enlouquecidas. Mas fato é que, depois daquela chacoalhada, o Brasil instituiu o programa de vacinação oral, que foi um sucesso — contextualiza o pediatria Roberto Cooper, da Fiocruz.

 

Fonte: Flávia Milhorance / Jornal O Globo

Divulgado em: 07/05/2014

 

altalt Voltar à pagina inicial

Outras notíciasaltarrow-2