Em entrevista à Agência Fiocruz de Notícias, o gestor reforçou o interesse na ampliação de parcerias com a Fundação e revelou sua expectativa em relação ao recente acordo firmado com a instituição.

 

AFN: Qual o principal motivo de sua visita à Fiocruz?

Mundel: Temos interesse em conhecer as capacidades técnicas no Brasil, um parceiro generoso para nós em saúde global. Realizamos essa semana o 9º Encontro Grand Challenges, no Rio de Janeiro. Foi um encontro fantástico sobre temáticas relacionadas à saúde global e, nele, anunciamos a conclusão de um acordo para a produção de vacina para sarampo e rubéola. Com esse acordo, vamos produzi-la para o mercado global e será a primeira vez em que o Brasil vai produzir uma vacina exclusivamente para exportação. Serão 30 milhões de doses exportadas por um preço acessível. E isso é crítico para nós, pois atualmente nós temos somente um fabricante que a produz para o mercado global. E para a segurança dos esforços de vacinação, nós precisávamos de um segundo produtor. Aproveitando que selamos mais esta parceria, recebemos o convite para visitar a Fundação, para ver onde e como a vacina será produzida.

 

AFN: E por que a Fiocruz foi escolhida como parceira?

Mundel: Escolhemos a Fiocruz por uma série de fatores. Quando pensamos em segurança de oferta de vacinas, nós queremos parceiros que tenham uma excelente experiência nisso, na qualidade de produção, e que tenha vacinas certificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Queríamos um parceiro que tivesse capacidade de produzir vacinas pré-qualificadas pela OMS. A Fiocruz tem essa experiência com alta qualidade de produção no mercado brasileiro e tem vacinas pré-qualificadas pela OMS. Sendo assim, é um parceiro natural para nós no Brasil.

 

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O presidente do Programa de Saúde Global da instituição, Trevor Mundel, em visita à Fiocruz
Imagem: Peter Ilicciev/Coordenadoria de Comunicação Social

 

AFN: Que contribuições a Fiocruz poderia dar à Fundação Bill & Melinda Gates?

Mundel: Nós estamos conhecendo as novas facilidades de produção tanto no campus de Manguinhos como na fábrica de Santa Cruz que a Fiocruz está construindo. Isso nos ajudará a pensar em quais seriam os próximos projetos que poderíamos desenvolver em conjunto, além da produção da vacina dupla viral. Estamos muito interessados em biofármacos que vocês vão produzir. Além disso, tem algumas vacinas nas quais vocês têm trabalhado, como a vacina para dengue, na qual estamos muito interessados. Acredito que esse encontro é um ponto de partida para o que poderíamos fazer juntos no futuro e será o começo de um grande número de projetos interessantes que poderemos desenvolver em colaboração.

 

AFN: E que parcerias poderiam ser estabelecidas com a Fiocruz?

Mundel: Nós já temos algumas parcerias interessantes com a Fiocruz. Eu visitei recentemente a área de Jogjakarta, na Indonésia, onde o projeto Eliminar a Dengue atua e a Fiocruz já é parceira nesta iniciativa liderando os estudos desta abordagem no Brasil. No campo do projeto Grand Challenges (Grandes Desafios) que a Fundação Gates conduz, a Fiocruz teve um projeto inovador premiado durante o 9º Encontro Grand Challenges, contemplado com recursos da Fundação Bill & Melinda Gates (o projeto Plataforma automatizada para triagem de fármacos contra helmintos, elaborado pelo Laboratório de Bioquímica de Proteínas e Peptídeos do Instituto Oswaldo Cruz). Gostaríamos de ter mais projetos apoiados por esta plataforma. E também temos interesse na produção de vacinas, pois precisamos de mais fabricantes. Entre 2001 e 2011, conseguimos dobrar o número de produtores de vacinas, o que levou à vacinação de mais de três milhões de crianças, que atualmente não teriam sido vacinadas. A questão é que não há muitos fabricantes de alta qualidade para as vacinas das quais realmente precisamos, como a para rotavírus, para doenças diarreicas. Atualmente o pacote básico de vacinas que temos custa 20 dólares por criança. Gostaríamos de reduzi-lo à metade dentro dos próximos cinco anos. Isso nos permitiria introduzir novas vacinas, como a HPV e outras importantes.

 

Fonte: Danielle Monteiro / Agência Fiocruz de Notícias

  

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