O professor Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva, da Faculdade de Medicina da USP, e Valdiléa Veloso, pesquisadora da Fiocruz, mostraram no evento o que está vindo de novidade por aí na área de prevenção, mais especificamente na profilaxia pré-exposição (PrEP) ao vírus HIV. Valdiléa explicou que o remédio Truvada, composição dos antirretrovirais Tenofovir + Entricitabina, que teve seu uso como prevenção aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) - órgão dos Estados Unidos que controla os medicamentos - passa por estudos para ser aprovado aqui no Brasil. Lá fora, ela contou, o Truvada é considerado de grande eficácia no controle de transmissão. “Entre casais sorodiscordantes, ele reduziu a infecção em 96% dos casos analisados. É, praticamente, o que se espera de uma vacina”, disse a pesquisadora da Fiocruz.

O estudo feito pela Fiocruz visando liberar o uso do Truvada no Brasil, segundo Valdiléa, está na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), esperando aprovação. "Até semana passada, havia 50 projetos na nossa frente”, disse Valdiléa, para quem a próxima geração de combate à epidemia da aids será dominada pela PrEP. “A PrEP vem aí e temos de conviver com essa possibilidade”, endossou o professor Mário Scheffer. “É nosso papel discutir, reivindicar e exigir a incorporação dessa tecnologia.”

Para os especialistas, o uso de remédio para se evitar a infecção pelo HIV não pode eliminar a ideia de que a camisinha continua sendo o carro-chefe da prevenção. Mesmo assim, eles reconhecem que o preservativo não é usado como deveria. “A camisinha como recurso único é insuficiente”, defendeu Gabriela Calazans, pesquisadora do Programa Estadual de DST/Aids e educadora comunitária. 

Na plateia, a dúvida era se medidas como o uso do Truvada não levariam ao que chamam de fator de desinibição. Ou seja, se, por se sentir segura e protegida pelo remédio, a pessoa não acabaria se expondo a mais riscos no comportamento sexual. A associação foi rebatida por todos os especialistas presentes no encontro. “É como o cinto de segurança e o air bag”, comparou Gabriela. “As pessoas não deixaram de usar o cinto por terem o novo recurso. Ao contrário, quiseram aumentar sua segurança.”

Veriano Terto Junior, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, usou outra imagem. “Não é por que eu uso capacete e joelheira para andar de bicicleta que vou pedalar por aí me jogando em cima dos carros”, disse ele.

 

Fonte: Fátima Cardeal / Agência de Notícias da Aids

  

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