O crescimento das notificações de casos de coqueluche no Brasil é uma tendência que está sendo observada também na Europa e nos Estados Unidos, desde 2010. Em 2011, foram registrados 2.258 casos da doença, sendo 70% em menores de um ano. Em 2012, os casos aumentaram para 4.453.  Em 2011, foram 56 óbitos e, em 2012, ocorreram 74. Em contraponto, 97,8% das crianças do país foram imunizadas em 2011 e esta média se manteve no ano seguinte.

 

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Gestantes serão imunizadas com a vacina dTpa ainda este ano - Imagem: Getty Images

 

O consultor científico de Bio-Manguinhos, Reinaldo Martins, explica que os casos de coqueluche no país são cíclicos, ou seja, há períodos de ascensão mesmo que, no geral, os números tenham declinado nas últimas décadas. “Em 1980, o Brasil registrou 45.749 casos e agora, lidamos com alguns poucos milhares de casos, o que nos dá a certeza da eficácia da imunização. Em adolescentes e adultos, a coqueluche é frequentemente atípica, sem o ‘guincho’ característico, e é preciso um alto grau de suspeição para solicitar os exames necessários e firmar o diagnóstico. Há também maior disponibilidade de laboratórios capacitados a realizar os exames microbiológicos que permitem identificar a Bordetella pertussis. Além disso, a diminuição de casos de coqueluche fez com que as pessoas tenham menos oportunidades de reforçar a imunidade conferida pela vacina ao longo da vida. Assim, há vários fatores interagindo e que podem explicar porque o número de notificações aumentou”, afirmou. 

A coqueluche, conhecida pela tosse contínua e paroxística, está afetando principalmente crianças menores de seis meses, ainda não protegidas pela vacina pentavalente (produzida por Bio em parceria com Funed e Butantam). Os estudos apontam que os principais transmissores da bactéria para bebês são as mães (de 30 a 50%), os irmãos (em torno de 20%), o pai (cerca de 15%) e os avós (aproximadamente 8%). “Diante deste cenário, o Ministério da Saúde vai ampliar o público-alvo das campanhas de vacinação para gestantes, incluindo a vacina dTpa (vacina tríplice acelular que protege contra difteria, tétano e coqueluche) ainda no segundo semestre de 2013. A medida visa garantir que os bebês já nasçam com alguma proteção, evitando que eles contraiam a doença até que completem o esquema de vacinação com a pentavalente, que só ocorre aos seis meses de idade”, informou Carla Domingues, coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações, que esteve na Fiocruz dia 17 de julho. O Ministério da Saúde já está negociando com dois  produtores internacionais para acertar um processo de aquisição da vacina dTpa por apresentar pequena produção mundial, envolvendo a possibilidade de transferência de tecnologia.

 

Saúde na escola

 

Enquanto isso, o Ministério também toma outra frente, vacinando crianças entre 0 e seis anos nas escolas e creches públicas em todo o Brasil, incluindo esta faixa etária no Programa Saúde na Escola (PSE). Com isso, cerca de 2 milhões de crianças serão beneficiadas. A ação faz parte do Programa Brasil Carinhoso, voltado para famílias com filhos de até seis anos vivendo em extrema pobreza. O impacto financeiro estimado é de R$ 175 milhões por ano. 

Com a inclusão da nova faixa etária no programa, o objetivo é assegurar o cumprimento das etapas de imunização. O calendário vacinal dessa faixa etária inclui 11 vacinas que protegem contra 15 doenças, entre elas poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, meningites, tétano, coqueluche, difteria e rotavírus. Educadores e profissionais de saúde do programa serão capacitados a identificar problemas de saúde ou atraso de alguma vacina no calendário de imunização infantil, alertando os responsáveis para a atualização vacinal ou para a necessidade de encaminhar a criança à Unidade Básica de Saúde próxima a sua casa. 

Com informações da Agência Saúde 

 

Jornalista: Gabriella Ponte

 

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