Convidado para ministrar a aula inaugural da 6ª edição do Mestrado Profissional de Tecnologia em Imunobiológicos (MPTI) e recepcionar os 17 novos alunos, comemorando os dez anos do curso, Rech parabenizou os alunos, em nome da diretoria da Anvisa e destacou a importância de se refletir sobre o papel dos órgãos reguladores no país, em um momento de transição do papel da Agência no cenário nacional e internacional. “Hoje, temos arcabouço teórico semelhante ao dos países do primeiro mundo”, comemora.

Rech ressaltou o valor da regulação sanitária como uma forma de exercício da cidadania e defendeu que os órgãos atuem de forma integrada, com foco no cidadão, não apenas em produtos e serviços. “Não pode existir um conjunto de regras frias, distantes da realidade do país. O pensamento regulatório nasce do olhar para fora, para outras culturas”, reitera.

O diretor de Bio-Manguinhos, Artur Couto, afirmou que o mestrado profissional é fundamental para a construção de uma base técnico-científica forte, fortalecendo um trabalho integrado entre a Fundação e os órgãos reguladores. “O MPTI é muito importante. Aqui formamos profissionais que, muitas vezes, passam a integrar nossos quadros”, declara. Ele relembrou como o mestrado profissional era visto no país no início dos anos 2000, quando ainda era muito focado na área de produção. “Era raro alguém ser liberado para estudar, hoje essa visão mudou”, pondera.

O presidente do Conselho Político e Estratégico de Bio, Akira Homa, destacou a importância do mestrado profissional na área de imunobiológicos, ainda oferecido por poucas instituições no país. “Devido às mudanças rápidas na tecnologia, surgiu o mestrado profissional. No começo, havia medo em relação a este tipo de mestrado, as universidades achavam que o nível iria cair, mas provamos o contrário e hoje comemoramos dez anos”, afirma.

Além dos muros

Para Rech, é fundamental ter uma visão mais ampla sobre os processos de regulação, com atuação integrada no processo de formulação de politicas e parcerias de desenvolvimento produtivo. “Só se supera barreiras rompendo os muros das instituições, por isso, é preciso focar mais a regulação na área produtiva, o que começou a ser feito em instituições como Bio-Manguinhos”, lembra.

O professor foi enfático ao defender a importância da participação dos cidadãos no processo de tomada de decisões, através das consultas públicas. Para isso, é preciso uma mudança de pensamento em relação à regulação, tema pouco abordado nas universidades. “As experiências acadêmicas na área ainda são restritas no país. Não basta investimento. Precisamos ter um marco regulatório que impacte, de fato, na vida as pessoas”, conclui.

 

Jornalista: Isabela Pimentel

 

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