No último encontro com seus eleitores antes da votação, os candidatos tiveram a chance de defender as propostas de suas plataformas políticas apresentadas durante as campanhas. No primeiro bloco, Paulo Gadelha foi sorteado para iniciar a apresentação e relembrou sua trajetória, destacando a importância de incentivar o protagonismo político na instituição, “para que ela ocupe seu papel como órgão estratégico do estado brasileiro”.

 

A candidata Tânia Araújo-Jorge ressaltou o debate aberto como uma ferramenta que estimula a democracia e o direito de participação. “Temos urgência na tomada de decisões, através da transparência e inclusão de todos, para enfrentar os desafios da Fiocruz”, diz.

 

Perguntas e respostas

O debate foi transmitido pelo site do Canal Saúde e mesmo os que não puderam comparecer ao encontro, enviaram perguntas aos candidatos. Temas como processos de gestão, o papel da Fiocruz no cenário brasileiro e internacional, transferência de tecnologia, autonomia na produção de insumos e o papel do SUS estiveram na pauta durante todo o debate.

 

Para Paulo Gadelha, o atual modelo de crescimento da instituição tem atendido às demandas internas e externas, especialmente pela capacidade de sustentar a atenção gratuita às principais doenças que acometem a população brasileira e a produção nacional das vacinas integrantes do Programa Nacional de Imunizações (PNI). “É importante ter capacidade na base produtiva, isso é fundamental para a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma.

 

Fiocruz em pauta

A compra de tecnologias maduras e a capacidade de associar a demanda social do SUS à produção interna foram destacadas por Gadelha como fatores que reduzem a dependência em relação às oscilações do ambiente externo. A candidata da oposição afirmou que as políticas adotadas não tem solucionado os problemas que considera crônicos, como orçamento. “Precisamos pautar o governo federal para que a Fiocruz se reestruture, aumentando o diálogo com a base”, destaca.

 

Tânia considera que assim como a Fiocruz, diversas empresas públicas estão passando por um processo de transformação, o que conduz a necessidade de mudanças e adequação a uma nova realidade. Um exemplo é a preocupação cada vez maior com a saúde dos trabalhadores, que tem levado a adoção de medidas como criação de linhas exclusivas para transporte dos colaboradores. “Este tipo de investimento se converte em qualidade de vida, que traz muitos benefícios reais no dia a dia dos funcionários”, acrescenta.

 

No que diz respeito ao papel da instituição para atender às demandas nacionais e internacionais, Gadelha defendeu a importância de trazer a saúde para o centro da agenda de desenvolvimento, através de investimentos em tecnologia e pesquisa. “O Estado tem que ter participação forte, ser indutor e regulador dos processos”, complementa.

 

Araújo acrescentou a necessidade de cumprimento da missão da Fiocruz, revista em 2010 como ferramenta para alcançar o crescimento com sustentabilidade. “A instituição deve ser atuante no estudo e pesquisa para áreas estratégicas”, pondera.

 

Gestão de todos

A existência de novas políticas de governança corporativa tem estimulado a entidade a estimular a participação de seus colaboradores nos processos decisórios. Gadelha considera as redes de diálogo e troca de conhecimento são fundamentais para a gestão participativa e uma oportunidade ímpar para o surgimento de propostas novas e discussão de questões vitais.

 

O candidato usou a metáfora da ausculta médica para descrever a relação entre a comunicação das demandas da força de trabalho às chefias e conselhos. Para ele, essa troca deve ocorrer além dos mecanismos formais. “É pela capacidade de gerar compromissos coletivos que construímos a Fiocruz”, revela.

 

A criação de linhas direta de comunicação com a Presidência e a escolha de ouvidores sugeridos pela própria comunidade da Fiocruz foram apresentadas por Tânia como etapas fundamentais para um processo de gestão mais democrático. “Esse sentimento de integração deve ser levado para fora do campus, para promover uma real cooperação entre as unidades e mais diálogo com as regionais”, destaca.

 

Os candidatos encerraram o debate agradecendo a presença de todos, convidando-os às urnas, para as eleições que ocorrem do dia 28 a 30 de novembro. A transparência na condução de todo o processo eleitoral, a realização de diversos debates e a proximidade com os eleitores foram destacados por ambos como pontos altos da campanha.

 

 

Jornalista: Isabela Pimentel

 

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