Com o slogan “Siga o Zé Gotinha mais uma vez”, o Ministério da Saúde reforça aos pais e responsáveis que as crianças que foram imunizadas na primeira etapa da campanha devem voltar aos postos para tomar as duas gotinhas contra a paralisia infantil.

Ao lançar a segunda etapa da campanha, no dia 10, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou a importância de o Brasil continuar vacinando as crianças. “De acordo com a OMS, 26 países ainda registram casos da doença. Quatro deles – Afeganistão, Índia, Nigéria e Paquistão – são endêmicos; ou seja, possuem transmissão constante”, explicou o ministro. “Por isso, temos que continuar vigilantes e reforçar a vacinação. Principalmente, porque são países que têm circulação com o Brasil e esse contato pode trazer o vírus de volta”, completou Alexandre Padilha.

13 de agosto é dia de vacinação infantil.


A poliomielite é uma doença infectocontagiosa grave. Na maioria dos casos, a criança não morre quando é infectada, mas adquire sérias lesões que afetam o sistema nervoso, provocando paralisia, principalmente nos membros inferiores. A doença é causada e transmitida por um vírus (o poliovírus) e a infecção se dá, principalmente, por via oral.

Há 22 anos, o Brasil está livre da circulação do Poliovirus Selvagem. Em 1994 o país obteve o Certificado Internacional de Erradicação da Transmissão Autóctone e, desde então, comprometeu-se a manter altas coberturas vacinais – maiores ou igual a 90%. A partir de 2005, essa meta foi alterada para 95% do público alvo. O último caso de poliomielite no Brasil foi registrado em 1989, na Paraíba.

Cerca de 115 mil postos de vacinação vão participar da mobilização neste sábado (13), em todo o país. Serão aproximadamente 350 mil profissionais trabalhando na campanha, que contará com a utilização de 40 mil veículos (terrestre, marítimo e fluvial).

Durante o lançamento da segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite, em Brasília, o ministro Alexandre Padilha ressaltou que, apesar de alguns estados e municípios já oferecerem a vacina, amanhã (13/8) é o dia da mobilização nacional.

“É um momento de orientação, quando as famílias terão a oportunidade de ir aos postos de vacinação, nas unidades básicas de saúde (UBS) ou em estabelecimentos comerciais, com a caderneta da vacina nas mãos, não só para receber a vacina contra pólio e sarampo, mas, se for o caso, para obter informações sobre o conjunto de vacinas que disponíveis no SUS”, destacou o ministro.

A primeira etapa da Campanha de Vacinação Contra a Pólio ocorreu no último dia 18 de junho e a cobertura vacinal alcançada foi de 100%. Na ocasião, foram vacinadas 14.186.318 crianças menores de cinco anos.

ESTRATÉGIA – A estratégia adotada pelo Brasil desde 1980 – de realizar campanhas nacionais em duas etapas para crianças menores de cinco anos, com intervalo de dois meses entre as doses, independentemente das crianças já terem sido vacinadas – favorece também a não reintrodução do vírus selvagem no país. Crianças vacinadas produzem o chamado “efeito rebanho”: ao expelirem as fezes, elas jogam também para o meio-ambiente o vírus vacinal que disputa com o vírus selvagem da poliomielite. “Acontece uma espécie de bombardeio do vírus vacinal, formando uma capa protetora no meio ambiente, que favorece também as crianças que, por algum motivo, não receberam a vacina”, explicou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, durante o lançamento da segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite.

O investimento para as duas etapas da campanha de vacinação contra a pólio é de R$ 46,6 milhões. Para a compra e distribuição das vacinas foram investidos R$ 26,3 milhões e, para operacionalização da campanha, R$ 20,2 milhões – recursos que foram transferidos para os fundos estaduais e municipais de saúde para a utilização em ações de logística da campanha.

SARAMPO – Ainda no dia 13 de agosto, em todos os municípios de 18 estados brasileiros (Acre, Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe, Santa Catarina e Tocantins) e do Distrito Federal, será realizada a segunda fase da campanha de seguimento contra o sarampo. As crianças que forem receber as duas gotinhas contra a pólio também serão vacinadas contra o sarampo.

“Neste sábado, serão 115 mil postos vacinando contra a poliomielite e o sarampo e mais de 350 mil profissionais de saúde à disposição de pais e responsáveis nas UBSs, postos comerciais, igreja, postos volantes. É o Dia ‘D” de vacinação’”, reforçou o ministro Alexandre Padilha.

O sarampo é uma doença viral aguda, grave e altamente contagiosa. Os sintomas mais comuns são febre alta, tosse, exantema (manchas avermelhadas), coriza e conjuntivite. A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por meio de secreções expelidas pelo doente ao tossir, falar ou respirar. O período de transmissão varia de quatro a seis dias antes do aparecimento do exantema até quatro dias após o surgimento das manchas.

A vacina é o meio mais eficaz de prevenção do sarampo. “Apesar da vacina ser a melhor que temos, a doença se transmite muito rápido. Por isso, além de vacinação de rotina, precisamos fazer mobilizações nacionais para atingirmos aquelas crianças que não conseguiram se vacinar ou as que não foram imunizadas por algum motivo”, explicou o secretário Jarbas Barbosa.

Na primeira fase da campanha de seguimento contra o sarampo, oito estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Bahia, Alagoas e Rio Grande do Sul) vacinaram as crianças de um ano a menores de sete anos contra o sarampo. Nesses estados, os municípios que não atingiram a meta continuam a vacinar até o próximo dia 16 de setembro. “A data final é esta; mas, se algum estado ou município sentir a necessidade de prorrogação, será possível”, observou o ministro Alexandre Padilha.

A meta do Ministério da Saúde é vacinar, nas duas fases da campanha de imunização contra o sarampo, pelo menos 95% das 17.094.519 crianças na faixa etária de 1 ano até menores de 7 anos (6 anos, 11 meses e 29 dias). Para tanto, foram enviadas 20.513.300 doses da vacina tríplice viral a todos os estados e o Distrito Federal.

O objetivo é manter o Brasil livre da transmissão selvagem do vírus do sarampo, uma vez que, neste momento, há surto da doença na Europa. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), já foram confirmados mais de 11,5 mil casos em todo o mundo, sendo mais de sete mil só na França.

Tira dúvidas sobre as duas vacinações – contra a pólio e contra o sarampo

1. Há risco para as crianças que vão tomar duas vacinas?
Não. As vacinas são seguras e podem ser dadas às crianças no mesmo dia, sem prejudicar a saúde delas.

2. As vacinas têm contraindicações?

Em geral, não. Porém, recomenda-se que as crianças que estejam com febre acima de 38º ou com alguma infecção sejam avaliadas por um médico antes de se vacinarem. Também não é recomendado vacinar crianças que tenham problemas de imunodepressão (como pacientes de câncer e AIDS ou de outras doenças e ou tratamentos que afetem o sistema imunológico, de defesas do organismo) e anafilaxia (reação alérgica severa) a dose anterior das vacinas.

3. Onde vacinar as crianças?
Os pais ou responsáveis devem procurar a Secretaria de Saúde do seu município ou estado para se informar sobre a lista de postos, bem como os endereços e os horários de funcionamento.

4. Só será possível vacinar as crianças nessas datas?
Não. As vacinas contra pólio e sarampo são oferecidas gratuitamente pelo SUS e estão disponíveis durante todo o ano, nos postos de saúde, para a vacinação de rotina. Mas é fundamental levar as crianças às campanhas de vacinação, porque elas reforçam a proteção da saúde delas.

5. Como funciona o calendário básico de vacinação, fora das campanhas?
Vacina poliomielite oral – Os bebês devem receber a vacina aos dois, quatro e seis meses. Aos 15 meses, recebem o reforço. Porém, todas as crianças menores de cinco anos (de 0 a 4 anos 11 meses e 29 dias) devem tomar as duas doses durante a Campanha Nacional, mesmo que já tenham sido vacinadas anteriormente.

Vacina tríplice viral – As crianças devem tomar uma dose da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, rubéola e caxumba) aos 12 meses e uma segunda dose aos quatro anos. Porém, todas as crianças devem se vacinar nas campanhas de seguimento, mesmo que já tenham sido vacinadas anteriormente.

 

Fonte: Ministério da Saúde