dia das mulheres   site pequena‘Lugar de mulher é onde ela quiser’. A frase, muito lembrada todos os anos no Dia Internacional da Mulher (8/3), pode já ter se tornado um clichê, mas, como as próprias mulheres sabem, ainda não se reflete no mundo real. Quando falamos de mercado de trabalho, embora a participação feminina na força produtiva venha crescendo, as oportunidades em posições de poder ainda são escassas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) explicitam que as mulheres são mais da metade da população economicamente ativa, mas apenas 39% dos cargos de liderança estão nas mãos femininas.

Bio-Manguinhos contraria esta realidade, mesmo sendo uma unidade fabril, historicamente ocupadas por homens. Desde o início do ano passado, a direção é exercida por uma mulher, Rosane Cuber, a primeira eleita para o cargo nos 50 anos da instituição. Quase metade da força de trabalho (48%) é exercida por mulheres. Mas são nas posições de liderança que elas se destacam, estão em 60% dos cargos. O percentual é ainda maior quando se considera somente o nível gerencial, dos 47 postos, 32 são ocupados por mulheres (69%).

“Ser a primeira diretora eleita em Bio-Manguinhos, após 50 anos de história, é uma conquista simbólica e uma grande responsabilidade pois queremos continuar esta trajetória. Precisamos de mais mulheres participando da produção científica, da inovação tecnológica, na gestão estratégica de instituições, contribuindo para fortalecer a ciência e a saúde pública do Brasil”, celebra a diretora.

A chefe do Departamento de Gestão de Pessoas, Leila Lahas, entende que o reconhecimento das profissionais na organização é fundamental para o ambiente de trabalho em Bio-Manguinhos: “O fato de hoje termos muitas mulheres ocupando cargos de liderança mostra um movimento importante da instituição em reconhecer talentos, trajetórias e dar oportunidades de forma mais justa. Cada uma carrega histórias de dedicação, competência e superação que ajudam a construir, todos os dias, uma instituição mais forte. Seguiremos trabalhando para que cada vez mais mulheres possam ocupar espaços estratégicos, contribuindo para um ambiente de trabalho mais diverso, humano e representativo.”

Comissão de Diversidade de Bio-Manguinhos inicia atuação

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, esteve na Fiocruz para evento alusivo ao Dia Internacional da Mulher e ressaltou a necessidade de fortalecimento de ações de equidade: “Recentemente vivemos um período de destruição das políticas públicas e de absoluto desrespeito às mulheres. Aquela lógica impactou profundamente a vida das mulheres e a própria democracia. São muitas as violências que enfrentamos, para além do feminicídio. Precisamos reconstruir pactos de respeito, paz e valorização das diversidades”.

Indo ao encontro da afirmação da ministra, Bio-Manguinhos/Fiocruz está em fase de implantação da sua Comissão de Diversidade. A iniciativa terá como atribuição central atuar como uma rede de multiplicadores, ajudando a tornar os temas da diversidade, equidade e inclusão cada vez mais presentes e transversais entre as equipes da instituição.

A primeira reunião do grupo, formado por 30 pessoas, acontece justamente em março, mês marcado pelas celebrações entorno das mulheres. No encontro, serão definidas as diretrizes iniciais de atuação do colegiado. “A criação da nossa Comissão de Diversidade é um exemplo de como podemos caminhar para que tenhamos uma ciência que consiga impactar toda a pluralidade da população brasileira. Celebrar o Dia Internacional da Mulher em uma instituição como Bio-Manguinhos também é reconhecer o papel fundamental das mulheres na construção do conhecimento científico e na produção de soluções para o SUS”, reconhece Cuber.

Jornalista: Daniela Rangel
Imagem: André Rocha

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