VSVR peqA Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta neste mês de fevereiro em função do aumento do sarampo nas Américas. Houve um crescimento de 32 vezes do número de casos confirmados, no ano passado foram 14.891 registros da doença, um salto em relação às 446 ocorrências de 2024. Foram 29 mortes nas Américas em 2025.

O Brasil acompanhou o retrocesso dos países do continente. De quatro notificações em 2024 o número cresceu para 38 em 2025, sendo praticamente todas (36) em pessoas sem histórico de vacinação. Apesar do crescimento, o país permanece com o status de país livre do sarampo.

“O sarampo tem uma sazonalidade no país e para este tipo de doença há um trabalho de vigilância muito eficiente, organizado e atento”, diz o vice-diretor de Reativos para Diagnósticos de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Antonio Gomes Ferreira. “Se casos são identificados, é necessária uma mobilização rápida para que se tenha uma ação de bloqueio, já que o sarampo é muito contagioso e fácil de se espalhar”, complementa.

Além da vacinação, a vigilância epidemiológica é justamente a outra ação que a Opas recomenda em seu alerta que deve ser intensificada. Nesse sentido, o trabalho de Bio-Manguinhos/Fiocruz é fundamental com a oferta de kits de diagnóstico, como explica o vice-diretor: “É estratégico para o Ministério da Saúde que este tipo de produto esteja sempre disponível, independentemente de haver registros da doença, pois isso significa que a rede de vigilância está preparada o tempo todo”.

Economia e eficiência para o SUS

Bio-Manguinhos/Fiocruz fornece o kit molecular sarampo e rubéola ao Ministério da Saúde, que, por sua vez, distribui para todo o país para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública. Estes testes, mais sensíveis e específicos, são utilizados para diagnóstico e como diferencial para enfermidades com sintomas semelhantes.

A especialista científica em Diagnóstico Molecular de Bio-Manguinhos/Fiocruz Patricia Alvarez conta que o produto surgiu de uma parceria de desenvolvimento tecnológico com o Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). “Durante a pandemia, a pessoa fazia o teste para Covid-19, quando dava negativo precisava testar para outras doenças. Do ponto de vista epidemiológico, faltava um clareamento diagnóstico. Foi assim, com as informações do IOC sobre os agravos respiratórios mais comuns no Brasil, que chegamos ao nosso kit VR1-VR2, que inclui sete vírus (Influenza A, Influenza B, SARS-CoV-2, Metapneumovírus humano, Vírus Sincicial Respiratório, Adenovírus e Rinovírus). Os diagnósticos, de uma forma geral, são muito mais assertivos quando você faz uma junção de possíveis agentes infecciosos que gerem os mesmos sintomas no paciente”, esclarece Alvarez.

A ideia dos kits de diagnóstico para múltiplas doenças, então, foi impulsionada pela urgência e complexidade da pandemia, e acabou dando origem a vários produtos de Bio-Manguinhos/Fiocruz, entre eles o kit VS/VR, para detecção e diferenciação de sarampo e rubéola, que também possuem sintomas parecidos. Segundo Alvarez, os benefícios são para todos: “O paciente consegue uma devolutiva mais completa e rápida. Para o Sistema Único de Saúde (SUS), além da economia, pela otimização de recursos, há uma vigilância epidemiológica mais completa. Uma outra questão é que desenvolvemos produtos de excelência, com qualidade de insumos, o que permite uma homogeneização da testagem em todo o Brasil”.

A especialista científica ressalta, ainda, que o kit sarampo rubéola é uma mostra da capacidade tecnológica brasileira, no contexto do complexo industrial da saúde. “É uma solução de produto mais serviço. Temos treinamento para quem vai utilizar o produto. Temos um SAC extremamente capacitado, que responde com competência científica. Essa é a vantagem do desenvolvimento nacional”, finaliza.

Sarampo

O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa que já foi uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo. Apesar dos avanços significativos no controle e prevenção, ainda é um desafio para a saúde pública, especialmente em regiões com baixas taxas de imunização. Todas as pessoas de 12 meses a 59 anos de idade têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo.

Jornalista: Daniela Rangel
Imagem: Carlos André Accacio

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