Dengue, tuberculose, doença de Chagas, leishmaniose, malária, hanseníase, chikungunya. Estas são algumas das chamadas doenças negligenciadas, um conjunto de agravos endêmicos que afetam especialmente populações vulnerabilizadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,4 bilhão de pessoas em todo o mundo necessitam de intervenções e tratamentos para ao menos uma destas doenças.
Para chamar a atenção para o assunto, a OMS criou, em 2021, o Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas, celebrado todos os anos em 30 de janeiro. Com o tema "Unir. Agir. Eliminar", a data destaca a meta de erradicar mais de 20 destes agravos até 2030.
O desafio é enorme, apesar de serem doenças muitas vezes tratáveis e evitáveis, são de baixa atratividade econômica para a indústria farmacêutica e para o setor de Produção, Desenvolvimento e Inovação. Além disso, há uma forte determinação social envolvida, o que significa que é preciso trabalhar também em frentes como saneamento básico, acesso à água e coleta de lixo, apenas para citar algumas.
É nesse contexto que a saúde pública se apresenta como uma resposta para a falta de investimento na área. “Estas doenças são uma prioridade institucional nossa, e da Fiocruz como um todo, já que afetam populações mais pobres, o que nos dá um senso de urgência para desenvolver e produzir ferramentas para o seu enfrentamento”, explica o vice-diretor de Reativos para Diagnósticos de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Antonio Gomes Ferreira.
Atualmente Bio-Manguinhos/Fiocruz produz para o Ministério da Saúde kits de diagnóstico para algumas das Doenças Tropicais Negligenciadas: leishmaniose, dengue, chikungunya, zika, doenças de Chagas e febre amarela. Para esta última, também há fornecimento de vacina para o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
“Nos momentos críticos de emergência em saúde, Bio-Manguinhos/Fiocruz sempre responde ativamente. Em 2015, diante do quadro de zika vírus, em menos de um ano conseguimos oferecer um número expressivo de insumos e kits de diagnóstico. Logo depois tivemos chikungunya, passamos por surtos de sarampo e dengue, e mais recentemente oropouche e mayaro”, relembra o vice-diretor.
Foi a atuação em momentos críticos de enfretamento às doenças negligenciadas que permitiu a resposta efetiva de Bio-Manguinhos/Fiocruz quando a Covid-19 surgiu: “Muito rápido, em uma situação sem precedentes, nós conseguimos desenvolver e entregar 90 milhões de testes para o Sistema Único de Saúde (SUS). Tivemos uma atuação importantíssima durante a pandemia”.
Segundo Gomes Ferreira, existe a expectativa de ampliar o trabalho este ano: “Temos um rol produtos que passam pelas doenças negligenciadas, mas nosso olhar acaba privilegiando as que têm maior impacto na vida das pessoas. Podemos dizer que nossa atuação nesta frente é permanente”.
Todo o trabalho de Bio-Manguinhos/Fiocruz vai de encontro ao chamado da OMS: “Necessitamos de uma abordagem de Saúde Única, para atuar na relação entre a saúde humana e animal e o meio-ambiente. E precisamos de soluções que sejam sustentáveis, possíveis e sob medida para atender as comunidades afetadas”, disse o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom, sobre o Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas de 2026.
Jornalista: Daniela Rangel
Imagem: Peter Ilicciev

