Durante os três dias, vacinas, biofármacos, reativos para diagnóstico e regulação foram debatidos amplamente. A história das vacinas e o impacto da vacinação no mundo foi o foco da palestra do diretor executivo do Instituto de Vacinas Albert Sabin (EUA), Ciro de Quadros. Ele constatou que, até hoje, foram identificados mais de 300 agentes infecciosos, sendo parte deles causadores de doenças crônicas. “Temos disponíveis vacinas contra mais de 30 doenças infecciosas, algumas voltadas para certos tipos de câncer como o papiloma vírus humano (HPV) e hepatite A – responsável pela inflamação e necrose do fígado”. Ele acrescenta que, no Estados Unidos, o investimento em inovação e desenvolvimento de vacinas é de US$ 1 bilhão.

 

Diretoria de Bio e membros do Conselho Político e Estratégico da unidade fazem encerramento do evento

Diretoria de Bio e membros do Conselho Político e Estratégico da unidade no encerramento do evento


A consultora internacional, Julie Milstien – atualmente é professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland (EUA) e trabalhou na Organização Mundial de Saúde, onde atuou nas atividades voltadas para o fortalecimeto da área de vacinas e regulação, na Organização Pan-americana da Saúde e na Food and Drug Administration (FDA) – falou sobre as tedências internacionais para o desenvolvimento de vacinas. Seus estudos abrangem o desenvolvimento de laboratórios públicos e a produção global de imunobiológicos. "Antes, não acreditava na iniciativa pública neste setor, pois foram poucos os laboratórios que permaneceram. Tive uma surpresa ao conhecer Bio-Manguinhos, onde estive pela primeira vez há vinte anos, e as experiências em Cuba", assinala. "Estes países têm um segredo. Parabenizo o Instituto pelo seu importante papel na área pública, pelo crescimento nos últimos anos e pela iniciativa exitosa".

Na área de biofármacos, o diretor do Centro de Imunologia Molecular (CIM/Cuba), Agustín Lage Dávila, fez observações sobre o acesso a esses medicamentos e listou barreiras como: o alto preço dos produtos, os direitos de propriedade intelectual, as regulações protecionistas, a capacidade tecnológica e científica, e a baixa disponibilidade de medicamentos, especialmente no setor público. Com base no Relatório sobre Ciência da Unesco, publicado em 2010, Dávila lembrou que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e o maior número de patentes científicas e de pesquisadores estão nos países desenvolvidos. “Com os produtos manufaturados acontece a mesma concentração. Também sabemos que somente 15% da população mundial consome 90% da produção farmacêutica global”, alertou.

Já o diretor do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde, Carlos Morel, falou das tecnologias existentes e em desenvolvimento para os testes rápidos de diagnóstico. “Detectar uma doença, logo após a testagem, permite tratar não só os pacientes, mas pode evitar também a utilização indistinta de medicamentos”.

O panorama da aceleração do desenvolvimento de novos kits foi comentado pelo gerente do Programa de Desenvolvimento de Reativos para Diagnóstico, Antonio Gomes Ferreira. Ele assinalou como tendência o uso de multitestes, tais como fluxo lateral em duplo percurso e microarranjos líquidos (técnica utilizada para obtenção de diagnósticos). “Em Bio-Manguinhos, um dos nossos desafios para obter novos produtos é o estabelecimento de alianças tecnológicas para co-desenvolvimento ou transferências de tecnologias”.

Palestras disponíveis

Para ver mais detalhes de cada palestra, acesse o hotsite do evento e faça o download das apresentações.

 

 

 

Jornalista: Elisandra Galvão

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