plataforma-vegetal-100x100Bio-Manguinhos deu um importante passo para o desenvolvimento de uma nova vacina contra febre amarela no Brasil. Em uma iniciativa inédita no mundo, o Instituto desenvolverá a primeira vacina produzida a partir de uma planta, ou seja, sem o uso de vírus atenuado. A iniciativa é fruto de um acordo assinado em 4 de janeiro com o Centro Fraunhofer para Biotecnologia Molecular e iBio Inc. (EUA) e permitirá ao país ter um novo imunizante inativado contra a febre amarela.

Alinhado às mais recentes tendências mundiais do setor, na área acadêmica e na indústria, Bio tem investido na obtenção de vacinas de subunidade recombinante, com baixo índice de reações ou eventos adversos. O diretor da unidade, Artur Couto, comemora os benefícios que a parceria trará para a saúde pública. “Estamos avançando nas áreas de pesquisa e desenvolvimento para oferecer produtos cada vez melhores e mais modernos”. Além de ampliar a segurança do produto, reduzindo a incidência de eventos adversos graves – ainda que raros – a vacina poderá ser produzida em maior quantidade, a um custo menor.

A parceria

O acordo determina que a Fraunhofer, renome em biologia molecular, compartilhe o processo de desenvolvimento, produção e purificação de uma proteína do vírus da febre amarela que atua como antígeno. Já os testes pré-clínicos e clínicos no Brasil serão feitos em conjunto por ambas as instituições. Será possível ainda aliar a competência do centro norte-americano no desenvolvimento de vacinas de subunidades recombinante com a alta capacitação do Instituto na produção e no controle de qualidade de seu mais tradicional imunizante.

A vacina febre amarela oferecida atualmente pelo Programa Nacional de Imunizações e já exportado para cerca de 70 países tem tecnologia 100% brasileira, e foi desenvolvida a partir de uma estirpe viva atenuada do vírus da doença cultivada em ovos de galinha. Para o diretor executivo da Franhoufer, Vidadi Yusibov, “a nova vacina contribuirá significativamente para proteger um público mais amplo”. O presidente da iBio, Robert B. Kay, por sua vez, destaca como o setor avançará. “Com essa colaboração técnico-científica e o intercâmbio de experiências, o Brasil deve figurar na vanguarda do desenvolvimento e produção de vacinas e biofármacos". Bio-Manguinhos investirá US$ 6 milhões no projeto. A previsão para o início da fase clínica 1, no Brasil e nos Estados Unidos, é de três anos.

A vacina febre amarela de Bio-Manguinhos/Fiocruz

Bio-Manguinhos é reconhecido internacionalmente como fabricante da vacina febre amarela (antiamarílica). Desde 1937, as preparações vacinais são obtidas em seus laboratórios a partir da cepa atenuada 17DD do vírus da Febre Amarela, cultivada em ovos embrionados de galinha livres de agentes patogênicos, de acordo com as normas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde. O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações, recomenda que a vacina seja aplicada a partir dos nove meses de vida, sendo importante o reforço, a cada dez anos, especialmente para quem vive ou vai viajar para regiões endêmicas. A Organização Mundial da Saúde estima que 200 mil pessoas não vacinadas contraem a doença todos os anos, e 30 mil morrem em decorrência da mesma.

Febre amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer em até dois dias, quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela. A enfermidade ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Entre 1989 e 2008 o Ministério da Saúde registrou 540 casos, com 236 óbitos.

Bio-Manguinhos/Fiocruz

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), que em 2011 completa 35 anos de sua fundação, é a unidade da Fiocruz responsável pelo desenvolvimento tecnológico e pela produção de vacinas, reativos e biofármacos. Sua missão é atender prioritariamente às demandas da saúde pública nacional. Com um dos maiores e mais modernos centros de produção da América Latina, possui atuação destacada no cenário internacional, por meio da exportação do excedente de sua produção para cerca de 70 países, através da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Centro Fraunhofer para Biotecnologia Molecular e iBio Inc.

A Fraunhofer é uma organização de pesquisa sem fins lucrativos cuja missão é desenvolver vacinas seguras e eficazes contra doenças infecciosas e desordens autoimunes. A tecnologia desenvolvida para iBio, Inc. fornece uma alternativa segura, rápida e econômica para ambas as vacinas e produção de proteínas terapêuticas. O Centro realiza pesquisas na área de biotecnologia vegetal, utilizando novas tecnologias de ponta aplicáveis a prevenção, ao diagnóstico e tratamento de doenças humanas e animais. Experiência e excelência em virologia vegetal, patologia, biologia molecular, imunologia, vacinologia, engenharia de proteínas e bioquímica.

 

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