Com a assinatura do acordo, que envolve a unidade da GSK em Tres Cantos, na Espanha, a Fundação ampliará a parceria que mantém com a empresa. Inicialmente, a colaboração focará em doença de Chagas e leishmanioses, pela experiência que a Fiocruz tem nessas áreas e a necessidade de novas intervenções contra essas moléstias. O Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz) será o ponto focal do acordo. Mas unidades da Fiocruz como o Instituto Oswaldo Cruz (IOC), o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) e os centros de pesquisa da Fundação em outros estados serão também incluídos na parceria

A parceria permitirá que pesquisadores da Fiocruz e da unidade da GSK em Tres Cantos – que é voltada para as doenças do mundo em desenvolvimento – compartilhem estudos, ideias e know-how em áreas como malária, tuberculose, doença de Chagas e leishmanioses. A respeito desse reforço na parceria, o vice-presidente sênior e chefe da Tres Cantos Centro de Desenvolvimento de Medicamentos, Nick Cammack, diz que a GSK “está comprometida em colaborar na busca de novos tratamentos para muitas das doenças que afetam milhões de pessoas em grande parte do mundo. Alianças como esta com a Fiocruz são fundamentais para o progresso e as necessidades dos pacientes. A experiência e os conhecimentos dos cientistas da Fiocruz ajudarão a conduzir os nossos esforços de desenvolvimento de novos produtos".

Para o vice-presidente de Produção e Inovação da Fiocruz, Carlos Gadelha, "com este acordo com a unidade de Tres Cantos a Fundação ampliará a sua parceria com a GSK visando à descoberta e ao desenvolvimento de novos fármacos e medicamentos contra doenças negligenciadas. Juntaremos o reconhecido expertise das duas instituições em uma área de grande repercussão para a saúde pública".

O novo acordo está baseado numa relação estabelecida em 1985 entre a Fiocruz e a GlaxoSmithKline para a fabricação de vacinas para as prioridades brasileiras de saúde pública. Estas incluem poliomielite, Haemophilus influenzae tipo b (Hib), sarampo, caxumba, rubéola, rotavírus e, mais recentemente, a doença pneumocócica. A relação entre as duas instituições também tem apoiado a pesquisa e a produção no Brasil por meio da transferência de tecnologia e colaboração científica.


Outras fases da parceria

Em agosto de 2009, a Fiocruz assinou um acordo de transferência de tecnologia com a GSK que permitiu que a vacina pediátrica para pneumococo desenvolvida pela multinacional passasse a ser produzida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). Com o início da produção, em fevereiro de 2010 o Ministério da Saúde incluiu a vacina pneumocócica conjugada no Programa Nacional de Imunizações (PNI). O imunizante protege contra meningite bacteriana, pneumonia bacterêmica e otite média aguda causadas pela bactéria pneumococo.

Em maio de 2010, para celebrar os 25 anos de parceria com a GSK, a Fiocruz recebeu a visita do príncipe Philippe Léopold, herdeiro do trono da Bélgica. O príncipe veio ao Brasil liderando uma missão cujo objetivo foi o de ampliar e diversificar os laços empresariais, comerciais e técnico-científicos. Ao receber a missão belga, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, recordou os laços da instituição com empresas e universidades daquele país, lembrou da visita que o rei Albert, avô do príncipe Philippe, fez à Fiocruz em 1920, detalhou a importância da Fundação para o Sistema Único de Saúde, listou as atividades nas áreas de pesquisa biomédica, ensino, produção de medicamentos e de vacinas, controle de qualidade em saúde e inovação tecnológica, relatou os acordos de cooperação mantidos com entidades estrangeiras e historiou a parceria de um quarto de século com a GSK. Alguns dos acordos anteriores da Fiocruz com a GSK contemplaram a vacina contra a meningite (Hib), em 1998, e a vacina tríplice viral em 2003.

 

A unidade GSK em Tres Cantos

O campus da GSK em Tres Cantos, na Espanha, é dedicado à descoberta de novos medicamentos para tratar doenças como malária e tuberculose. A partir de 2010, a GSK ampliou a missão da unidade espanhola para incluir doenças tropicais negligenciadas, usando o conceito e a abordagem de "inovação aberta", onde há o estímulo a amplas parcerias colaborativas, oferecendo acesso às facilidades, à infraestrutura, a processos e a experiências existentes em Tres Cantos; e permitindo acesso ao conhecimento da GSK relacionado à doenças que acometem sobretudo países em desenvolvimento.

Um fato marcante que endossou na prática estes conceitos de "inovação aberta" foi a disponibilização à comunidade científica de 13.533 novos inibidores ativos contra o parasito da malária, identificados pela GSK dentre os mais de 2 milhões de moléculas existentes nas bibliotecas de compostos da companhia. Com isso, estes compostos ficam à disposição de quaisquer laboratórios que queiram prosseguir no desenvolvimento tecnológico dos inibidores em medicamentos antimaláricos.

O Open Lab Foundation, em Tres Cantos, foi projetado para facilitar a colaboração entre o meio acadêmico e a indústria. Com capacidade para até 60 cientistas de todo o mundo, o Open Lab está convidando cientistas de outros países para explorar o conhecimento e a infraestrutura da empresa, ao perseguir seus próprios projetos, como parte de uma equipe integrada de descoberta de medicamentos.

 

Fonte: Agência Ficruz de Notícias /Ricardo Valverde

 

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