O Bio In-nova ação teve no dia 16/11 o quarto painel do ano: “Desenvolvimento de medicamentos”. No encontro, mediado pelo especialista da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Martín Bonamino, foram discutidos o cenário e as perspectivas do desenvolvimento tecnológico de medicamentos para o tratamento da COVID-19, destacando os medicamentos biológicos e a categoria de anticorpos monoclonais.

A gerente do Programa de Biofármacos de Bio-Manguinhos, Aline de Almeida Oliveira, iniciou a série de palestras trazendo o “Cenário e perspectivas de desenvolvimento de medicamentos biológicos para COVID-19”. Ela falou sobre a grande mobilização da comunidade cientifica para solucionar a pandemia, o que pode ser comprovado pelo grande número de ensaios clínicos em andamento. Sobre os biofármacos ou medicamentos biológicos, Aline disse que “uma vez conhecida a fisiopatologia da doença conseguimos desenvolver tratamentos mais eficazes. Porém, é preciso usar metodologias de biotecnologia, baseadas no uso da tecnologia do DNA recombinante”. Ela observou que esses medicamentos protegem tanto quanto uma vacina, mas devem ser aplicados em média a cada 6 meses. E têm a vantagem de poderem ser administrados em quem não pode tomar vacinas, como idosos e pessoas de grupos de risco. “Esses indivíduos podem, então, ser tratados com anticorpos monoclonais, que têm baixo risco de efeitos adversos, sendo um produto bem seguro”, frisou.

Ivna Alana da Silveira, do Laboratório de Tecnologia Bacteriana de Bio-Manguinhos, falou sobre “Anticorpos monoclonais neutralizantes para o tratamento de COVID-19”. Ela destacou que, na busca intensa de tratamentos efetivos para controlar a COVID-19, foi aprovado para uso emergencial pela FDA (a agência regulatória norte-americana) o primeiro anticorpo monoclonal: o bamlanivimab. “É um anticorpo extremamente potente. O estudo clínico com 452 pacientes adultos, com sintomas leves e moderados, apresentou melhora significativa dos sintomas no terceiro dia nos grupos tratados, apresentando um perfil seguro e bem tolerado. Já temos uma perspectiva clara e real desse produto para tratar vulneráveis e imunodeprimidos, abrindo uma possibilidade grande para termos medicamentos efetivos no tratamento da SARS-CoV-2”, afirmou.

Patrícia Neves, do Laboratório de Tecnologia em Anticorpos Monoclonais de Bio-Manguinhos, falou sobre “Desenvolvimento de anticorpos monoclonais para tratamento da COVID-19 em Bio-Manguinhos”. Segundo ela, as moléculas desenvolvidas na unidade estão em testes de neutralização in vitro, para então passar para testes em animais. “Havendo sucesso, queremos partir rapidamente para testes em primatas no ano que vem”.

Completando a live, o vice-coordenador do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), Thiago Moreno Souza, falou sobre o “Reposicionamento de pequenas moléculas contra COVID-19”. Thiago trabalhou com estudos em virologia molecular, contribuindo para o processo de reposicionamento de fármacos. Segundo ele, a resposta contra a COVID é muito baseada na proposta de reposicionamento numa primeira geração de medicamentos candidatos pelo ensaio clinico Solidarity, da Organização Mundial da Saúde (OMS), que avaliou a atividade do remdesivir; lopinavir + ritonavir; lopinavir + ritonavir + interferon; e da cloroquina.

Os estudos com os três últimos falharam. “O remdesivir, embora tenha falhado no Solidarity, teve benefícios comprovados em outros estudos independentes. Os ensaios bem-sucedidos mostraram que a sua utilização precoce reduz a mortalidade”, afirmou Thiago. Segundo ele, a intervenção com antiviral precisa ser precoce, sendo administrado o mais próximo possível do início dos sintomas e, com isso, prevenindo uma evolução para um quadro mais grave da doença”, alertou.

Assista na íntegra como foi o quarto painel do Bio In-nova ação

 

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Jornalista: Rodrigo Pereira. Imagem: