Divulgado o resultado final do Edital Covid-19 - Geração de Conhecimento do Programa Inova Fiocruz, soube-se que três propostas de Bio-Manguinhos foram recomendadas.

Uma delas foi a “Avaliação do efeito imunomodulatório da lactoferrina bovina na resposta imunológica ao SARS-CoV-2 (COVID-19)”, submetida por Ana Paula Dinis Ano Bom, do Laboratório de Tecnologia Imunológica (Latim). Os resultados in vitro demonstram que a lactoferrina, proteína presente no leite, é capaz de inibir em 84% a infecção do SARS-CoV-2, agente etiológico da COVID-19.

De acordo com ela, o projeto está em fase de finalização dos ensaios in vitro, em colaboração com Instituto Oswaldo Cruz (IOC), para finalização do manuscrito, que está sob forma de pré-print (projeto de um artigo científico que não foi ainda publicado em um periódico científico com revisão por pares). Havendo sucesso nesta etapa, o uso da lactoferrina pode avançar para estudo clínico.

Gabriela dos Santos Esteves, do Laboratório de Tecnologia Recombinante (Later), submeteu o projeto “Desenvolvimento de molécula baseada na enzima conversora de Angiotensina como estratégia terapêutica para COVID-19”. Ela conta que a proposta nasceu do desejo de contribuir efetivamente com novas estratégias para o combate ao coronavírus. Como o Later já vem trabalhando com a expressão de proteínas recombinantes com foco em testes diagnósticos, o grupo pensou em trabalhar também com alguma abordagem terapêutica.

“O foco é a enzima conversora de angiotensina, mais conhecida como ACE-2 e espera-se que a molécula desenvolvida se ligue ao vírus bloqueando sua entrada e multiplicação nas células hospedeiras e recrute células do sistema imune, principalmente. O projeto ainda não foi iniciado e será desenvolvido em colaboração com o Laboratório de Tecnologia Virológica (Latev), que realizará os ensaios para verificação da ação antiviral da molécula”, explicou.

Rodrigo Nunes Rodrigues, do Laboratório de Tecnologia de Anticorpos Monoclonais (Latam), teve o projeto “Imunoterapias utilizando fragmentos de anticorpos humanos neutralizantes como proposta para o tratamento da pandemia COVID-19” recomendado. Rodrigo diz que o projeto consiste em gerar anticorpos humanos, por tecnologia de DNA recombinante, para o tratamento de pacientes (graves ou não) com COVID-19, através de imunoterapias baseadas na combinação de anticorpos recombinantes. “Para tal, obtivemos amostras de doadores recuperados da COVID-19 e separamos o material genético das células produtoras de anticorpos destes indivíduos, para construir uma ‘biblioteca imunizada de fragmentos de anticorpos’”.

Em paralelo, utilizando ferramentas de bioinformática, seu grupo fez a identificação de alvos com potencial neutralizante contra o vírus. Serão realizados testes in vitro e, depois, testes in vivo, em ensaios pré-clínicos. “Por fim, esperamos gerar formulações imunoterapêuticas eficazes que possam ser direcionadas a estudos em humanos para o tratamento da COVID-19”.

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Jornalista: Gabriella Ponte. Imagem: Kirisa, Freepik