Bio-Manguinhos fez doações ao Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) de 4 mil testes rápidos para diagnóstico da COVID-19, destinados aos povos indígenas do Alto Rio Negro, do Alto Solimões e do Purus.

Esses testes serão destinados a um projeto liderado pelo pesquisador e diretor da Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz. Em uma reunião do Conselho Deliberativo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ele apresentou as dificuldades de testar os povos indígenas, que possuem um nível de assistência médica insuficiente, ainda mais em época de pandemia.

A pesquisadora da regional, Luiza Carmelo, conta que esses testes foram ofertados por Bio-Manguinhos. “A primeira fase dos testes já foi concluída e agora estamos capilarizando para outros povos em uma segunda fase. Essa distribuição está sendo feita paulatinamente para garantir a qualidade e segurança de armazenagem e transporte”.

Os testes são destinados a uma população com dificuldade de acesso, que não tem condições de se locomover até o município mais próximo. Se não fossem as doações, ela não seria testada. “Quando o fazem, percorrer esse caminho leva 10 dias. Ou seja, se algum deles estiver com sintomas de COVID-19, fica impossível essa locomoção”.

A Fiocruz Amazônia fez diversas parcerias para viabilizar esta operação, incluindo a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. “Foram realizados treinamentos de profissionais de saúde para descentralizar e agilizar a testagem para estas comunidades. E, agora, os multiplicadores estão se deslocando para implantar essas testagens nas localidades. Com isso, estamos cobrindo cerca de 18 milhões de hectares dos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, onde ficam aproximadamente 700 comunidades. Temos o grande desafio de percorrer esses rios para chegar até eles com os devidos cuidados, seguindo os protocolos. Os resultados serão transmitidos por radiofonia ou orelhões públicos, únicas formas de comunicação disponíveis”.

Fazem parte da equipe 197 agentes de saúde de nível médio. “A Fiocruz Amazônia possui parceria com esta federação há muitos anos, junto com a Secretaria Estadual de Saúde. Eles foram capacitados pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) e estão hoje habilitados a atuar nessas comunidades. Eles serão ponto focal dessa rede para que os profissionais de nível superior possam se deslocar com mais assertividade”, explica Luiza.

Essa equipe está seguindo os Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), produzidos pela Fiocruz Amazônia, específico para atender às populações indígenas. “Nós pegamos os POPs já existentes dos testes e adaptamos a nossa realidade. Claro que a técnica de como coletar o sangue, por exemplo, não altera. Mas, evidentemente, que o processo de conversação em comunidades que não possuem luz elétrica nem geladeira é diferente. Fazemos isso em caixas de isopor com termômetros para armazenar na temperatura correta. Como fazer o retorno da informação, das notificações dos casos da doença, como lidar com os resíduos, tudo isso consta nesses POPs voltados para atuação em aldeias indígenas”, disse a pesquisadora.

Outra ação dessa equipe será a coleta de amostras para a realização de exames moleculares RT-PCR para a detecção do Sars-CoV-2 em profissionais de saúde. O material coletado será analisado no laboratório do ILMD/Fiocruz Amazônia, em Manaus. Luiza conclui comentando que eles querem replicar esta experiência de sucesso no Alto Solimões e no Purus. “Queremos fazer um cordão sanitário em que as pessoas possam ser testadas, os profissionais que lá atuam e os povos que moram nessas localidades”.

 

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Jornalista: Gabriella Paredes. Imagem: Freepik