Bio-Manguinhos licenciou a patente do anticorpo anti-MRSA para empresa farmacêutica, que lançou o produto para uso laboratorial globalmente. Depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em 2009, a patente foi concedida em 2019 e tem vigência até 2029.

Ela protege os direitos de Bio-Manguinhos e de seus inventores, o pesquisador José Procópio Moreno Senna (inventor principal), Maria da Glória Martins Teixeira, Nádia Batoreu e João Queiroz, sobre o uso e comercialização dos anticorpos monoclonais para a proteína PBP2a e sequências homólogas para o tratamento de infecções e imunodiagnóstico em bactérias do filo Firmicutes.

Este anticorpo se liga à bactéria Staphylococcus aureus resistentes a meticilina (MRSA), que é resistente aos antibióticos da classe dos beta-lactâmicos. Cabe lembrar que a chamada “resistência antimicrobiana” é um dos maiores desafios de saúde pública presentes e futuros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Trata-se de uma etapa de um projeto maior, que está na carteira de Bio-Manguinhos, para desenvolver um anticorpo monoclonal para combater a bactéria MRSA no organismo humano, obtido inicialmente em murinos (camundongos). Geramos um anticorpo de camundongo que pode ser usado em diagnóstico. Já para o alvo final do projeto, que é um produto terapêutico, o anticorpo foi submetido a um processo de humanização”, cita José Procópio.

Mesmo sem uso como terapia em humanos, o anticorpo monoclonal murino pode ter várias aplicações para pesquisa e desenvolvimento, principalmente ensaios imunoenzimáticos (ELISA e immunoblottings), ensaios de imunofluorescência e citometria de fluxo, e também como insumo para o desenvolvimento de kits de diagnóstico, por técnicas de fluxo lateral e imobilização em partículas de látex.

Em diagnóstico, por exemplo, ele pode encurtar de 24h a 48h a identificação da resistência aos beta lactâmicos, facilitando a escolha de qual antibiótico usar no tratamento dos pacientes infectados.

De acordo com a gerente do programa de Biofármacos da Vice-Diretoria de Desenvolvimento Tecnológico de Bio-Manguinhos, Aline de Almeida Oliveira, o desenvolvimento do medicamento, “Projeto anticorpo monoclonal humanizado anti-MRSA”, está em fase pré-clínica. “Esperamos em breve concluir esta fase e iniciar os estudos clínicos. Neste momento estamos prospectando parceiros para acelerar o desenvolvimento do primeiro anticorpo terapêutico de Bio-Manguinhos, uma iniciativa que possibilitou também a abertura de uma nova linha de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Instituto”.

Desde seu início, o projeto teve sua caminhada por patenteamento feita através da Assessoria de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia de Bio-Manguinhos e a Coordenação de Gestão Tecnológica da Fiocruz.

“O Instituto tem se desdobrado sobre temas que visam buscar a melhor forma de utilizar a Lei de Inovação Tecnológica e a prestação de serviços tecnológicos. Esse licenciamento é exemplo das possibilidades que estão colocadas diante de nós e da geração dos frutos de um projeto de desenvolvimento bem-sucedido”, ressalta a coordenadora da Assessoria de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia de Bio-Manguinhos, Ana Paula Cossenza.

 

Jornalista: Paulo Schueler. Imagem: Freepik.