No dia 12 de junho, ocorreu o Webinar Bio-Manguinhos/Fiocruz – Vacinas contra a COVID-19, promovido pela Sociedade Brasileira de Profissionais em Pesquisa Clínica (SBPPC) e que contou com a participação de dois profissionais de Bio-Manguinhos, Hugo Defendi, da Divisão de Marketing e Novos Negócios; e Eliane Matos, da Assessoria Clínica.

Em sua apresentação, Defendi reforçou a importância que a Fiocruz tem por ser referência do Ministério da Saúde na produção de vacinas de COVID-19 e mostrou a prospecção que vem sendo realizada pelo Instituto.

Foi feito um mapeamento dos imunizantes que estão sendo desenvolvidos no mundo. Hugo também apresentou alguns dos principais programas de alavancagem mundial, que aceleram o desenvolvimento de vacinas em épocas de pandemia, como o ACT Accelerator, iniciativa específica para vacinas de COVID-19, coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS); o COVAX Facility, que visa acelerar e coordenar a produção e o fornecimento equitativo de uma vacina, suportado pelo GAVI COVAX AMC; e o programa da Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI), fundação que fomenta e coordena projetos independentes.

Ele destacou as iniciativas de desenvolvimento nacional de Bio-Manguinhos: uma vacina sintética e uma de subunidade. “Também estamos participando de outras iniciativas, que estão em avaliação com possíveis parceiros”, explicou.

O Instituto continua avaliando opções de vacinas que seriam mais promissoras para produzir em suas plantas produtivas. “Aqui, já temos capacidade de realizar o processamento final das vacinas. Dependendo da plataforma utilizada, podemos também produzir o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA). Ou seja, em curto prazo, temos as frentes com parceiros e, a longo prazo, as vacinas autóctones”, concluiu Defendi.

Eliane Matos apresentou as lições aprendidas com os vírus Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e falou ainda do essencial relacionamento entre os comitês de pesquisa e ética do mundo em busca de respostas rápidas em um cenário de emergência pública. “Essa sinergia e colaboração são de grande valia para a ciência”, frisou.

Bio-Manguinhos é candidato ao estudo Solidarity de vacinas, que está sendo proposto pela OMS. Serão feitos estudos em vários países com as vacinas selecionadas como mais promissoras. O objetivo será avaliar se essas vacinas são seguras e eficazes, se tem início rápido de proteção. No Brasil, há 25 centros de pesquisa candidatos.

Matos comentou sobre a importância de avaliar eventos adversos, inclusive os imunomediados, e que a segurança do participante de pesquisa deve vir em primeiro lugar. “O ideal é que o imunizante tenha o menor número de doses possível e uma duração de imunidade grande. Pode ser que a primeira vacina não seja a melhor. Teremos que fazer estudos clínicos pós-registro para avaliar a duração da imunidade. Provavelmente será aprovada mais de uma vacina, para atender à demanda, inclusive dos países de média e baixa renda”.

Ela atentou para a importância de manter o calendário vacinal atualizado mesmo durante a pandemia, evitando que doenças preveníveis por vacina como sarampo voltem a ter surtos. “Se tivermos outras doenças ao mesmo tempo, o cenário será muito pior”, alertou. Para finalizar, ela apresentou os estudos clínicos realizados e previstos e fez reflexões sobre os desafios e estratégicas para os centros de pesquisa.

As mediadoras foram Conceição Accenttuuri, médica infectologista, diretora da SBPPC e Comissão Executiva do do Fórum Permanente dos Cômites de Ética e Profissionais em Pesquisa (FOCEP); Greyce Lousana, presidente executiva da SBPPC e diretora executiva da Invitare e Mirian Franco, diretora da SBPPC e do FOCEP. Cerca de 400 internautas acompanharam o webinar - que pode ser acessado na íntegra.

 

Acesse o especial sobre coronavírus do site de Bio-Manguinhos

 

Jornalista: Gabriella Ponte. Imagem: Freepik