carissa ettieneA diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, afirmou que a resposta à pandemia da COVID-19 na região das Américas deve incluir atenção às doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como hipertensão, tabagismo e diabetes, já que uma em cada quatro pessoas corre o risco de desenvolver a forma mais grave da doença por ser portador de problemas crônicos de saúde.

Segundo Etienne, as Américas são hoje o epicentro da pandemia da COVID-19 e “à medida que os casos continuam a aumentar em nossa região, os esforços para proteger pessoas com condições de saúde pré-existentes devem se intensificar”.

“Nunca vimos uma relação tão mortal entre uma doença infecciosa e doenças crônicas não transmissíveis. Especialmente para a nossa região, onde as DCNTs estão difundidas. Precisamos de medidas preventivas agressivas para proteger as pessoas com diabetes, doenças respiratórias e cardiovasculares do novo coronavírus”, alertou a diretora da Opas.

Segundo Etienne, o acesso dificultado aos sistemas de saúde por conta da pandemia “coloca os pacientes em maior risco de complicações e morte por doenças que sabemos tratar” e os sistemas de saúde devem encontrar maneiras de responder “ou seremos confrontados com uma epidemia paralela de mortes evitáveis de pessoas com DCNTs”.

Doenças crônicas são responsáveis 81% dos óbitos nas Américas

Antes da pandemia do novo coronavírus, 81% de todas as mortes na Região das Américas ocorreram devido às DCNTs; e 39% destes óbitos foram considerados “prematuros”, antes dos 70 anos de idade.

Etienne afirmou ser importante encontrar métodos seguros para oferecer os cuidados médicos essenciais às pessoas acometidas por estas doenças enquanto a pandemia durar, e citou exemplos de como isso pode ser feito. “Muitos países estão expandindo a telemedicina e priorizando consultas agendadas para evitar salas de espera lotadas”, citou.

 

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Jornalista: Paulo Schueler. Imagem: Bernardo Portella.