recorde paises resistencia antimicrobianaOrganização Mundial da Saúde (OMS) está preocupada com o fato de o uso inadequado de antibióticos durante a pandemia de COVID-19 aumentar a chamada “resistência antimicrobiana”.

De acordo com a OMS, as evidências mostram que apenas uma pequena parcela dos pacientes de COVID-19 precisa fazer uso dos antibióticos para tratar infecções bacterianas subsequentes.

A instituição inclusive publicou orientações aos serviços médicos de todo o mundo para não fornecerem antibioticoterapia ou profilaxia aos infectados pelo novo coronavírus que apresentem apenas os sintomas leves ou àqueles pacientes com suspeita ou confirmação de doença moderada por COVID-19, a menos que haja indicação clínica para fazê-lo.

“Esta orientação clara sobre o uso de antibióticos na pandemia de COVID-19 ajuda os países a combater a doença de maneira eficaz e evitar o tratamento e a transmissão da resistência antimicrobiana no contexto da pandemia”, afirmou o diretor geral assistente de resistência antimicrobiana da OMS, Hanan Balkhy.

De acordo com Balkhy, é preocupante o declínio dos investimentos e a falta de inovação no desenvolvimento de novos antibióticos – o que prejudica os esforços para combater infecções resistentes a este tipo de medicamento.

“Devemos reforçar a cooperação e as parcerias globais, inclusive entre os setores público e privado, para fornecer incentivos financeiros e não financeiros ao desenvolvimento de antimicrobianos novos e inovadores”, acrescentou o diretor geral assistente.

Em apoio a tal esforço de inovação, a OMS divulgou dois documentos: um sobre produtos-alvo que orientem o desenvolvimento de novos tratamentos para infecções bacterianas resistentes comuns, e outro sobre modelos econômicos desta busca. Este segundo simula custos, riscos e possíveis retornos de investimento no desenvolvimento de antibióticos.

Triplica número de países relatando o tema

Mesmo antes da pandemia de COVID-19, um número recorde de países já monitorava e notificava a resistência aos antibióticos, o que a OMS classifica como “um grande passo à frente na luta global contra a resistência antimicrobiana”, por reduzir a subnotificação.

Desde 2018, quando foi publicado o relatório Global Antimicrobial Resistance and Use Surveillance System (GLASS), cresceu a participação de países que coletam e relatam informações sobre o assunto. Agora, a OMS recebe e consolida dados de 64 mil locais de vigilância e 2 milhões de pacientes, em 66 países. Naquele ano, os números eram de 729 locais de vigilância e 22 países.

Por outro lado, a Organização ressalta que os dados coletados trazem preocupação crescente sobre o número de infecções bacterianas que estão se tornando resistentes aos antibióticos já existentes e disponíveis para tratá-las.

A humanidade, por exemplo, está ficando sem meios eficazes para combater infecções do trato urinário ou algumas formas de diarreia devido às altas taxas de resistência entre os antibióticos mais usados para tratá-las. A taxa de resistência à ciprofloxacina, por exemplo, variou de 8,4% a 92,9% em 33 países declarantes.

“À medida que reunimos mais evidências, vemos com mais clareza e preocupação o quão rápido estamos perdendo medicamentos antimicrobianos de importância crítica em todo o mundo”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Esses dados enfatizam a importância de proteger os antimicrobianos que temos e desenvolver novos para tratar efetivamente infecções, preservar os ganhos de saúde obtidos no século passado e garantir um futuro seguro”, complementou Ghebreyesus.

 

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Jornalista: Paulo Schueler. Imagem: Ramcreative - Freepik.com