Em 3 de abril, a Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde orientou as coordenações estaduais de imunização de que “a vacinação deve ser considerada uma ação de saúde essencial e imprescindível que não deve ser interrompida” durante a pandemia de COVID-19.

As crianças precisam manter suas cadernetas de vacinação atualizadas neste período, pois além do novo coronavírusSars-Cov-2 – outros agentes infecciosos, como vírus e bactérias, continuam a circular no Brasil e no mundo.

A orientação encontra respaldo e é apoiada pelos organismos internacionais de saúde pública e de proteção à infância e adolescência, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O alerta para manter a vacinação das crianças também é defendido pelas sociedades médicas como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que conjuntamente divulgaram a nota pública Calendário Vacinal da Criança e a Pandemia pelo Coronavírus.

O documento da SBIm e da SBP afirma que a "ao mesmo tempo em que o isolamento e a limitação na circulação de pessoas reduzem a transmissão, não só do COVID-19, mas de outros patógenos, o não comparecimento de crianças às unidades de saúde para atualização do calendário vacinal, pode impactar nas coberturas vacinais e colocar em risco a saúde de todos, especialmente frente à situação epidemiológica do sarampo, febre amarela e coqueluche que vivenciamos atualmente".

Portanto, é preciso que pais, mães e responsáveis pelas crianças atentem para o risco da descontinuidade da vacinação rotineira, que traz riscos elevados. A OMS indica em Princípios orientadores para atividades de imunização durante a pandemia de COVID-19 que, “mesmo que por breves períodos, a não-vacinação aumenta o número de indivíduos suscetíveis e a probabilidade de surtos de doenças evitáveis por vacinas e que os riscos são o crescimento da morbidade e da mortalidade, em especial em lactentes e outros grupos vulneráveis, e a sobrecarga dos sistemas de saúde já sobrecarregados diante da pandemia da COVID-19”.

Para manter a vacinação das crianças em condições seguras, evitando o possível contágio pelo novo coronavírus, o Ministério da Saúde ressaltou em Nota Técnica que os serviços de vacinação devem obedecer “as diretrizes nacionais sobre distanciamento social e considerar a situação local de carga de doenças imunopreveníveis”.

O sarampo, por exemplo, está circulando em 19 estados brasileiros e entre janeiro e abril havia causado quatro óbitos no país: dois no Pará, de crianças com 5 e 18 meses; um no Rio de Janeiro, de uma criança de oito meses; e um em São Paulo, de uma criança com 13 meses de idade. Nenhuma das crianças havia sido vacinada.

A febre amarela circula e merece especial atenção no Sul do Brasil – também apenas em 2020, já foram confirmados laboratorialmente mais de 150 óbitos de macacos (epizootias) por febre amarela apenas nesta região.

No Perguntas & Respostas Imunizações no contexto da pandemia da COVID-19, editado pela OMS e o Unicef, é recomendado manter a vacinação mesmo dos recém-nascidos. É, aliás, a primeira informação do material:

"Os programas de vacinação para recém-nascidos devem continuar conforme o planejado durante a pandemia do COVID-19? Sim, dado que o fornecimento devem ser mantidos na maioria das situações, a vacinação de recém-nascidos (por exemplo, para BCG, OPV (pólio oral) e Hepatite B) devem permanecer uma prioridade, e as vacinas ofertadas de acordo com os cronogramas nacionais de imunização”.

Portanto, fica o alerta de especialistas:

“Nesse momento de pandemia de COVID-19, é ainda mais fundamental que a gente reafirme o nosso compromisso de manter a população imunizada. As doenças habituais – como sarampo, varicela, febre amarela, hepatite A e B – continuam circulando pelo território nacional. Se além dos pacientes acometidos pelo novo coronavírus, tivermos que lidar também com outras epidemias, a estrutura do sistema de saúde do País certamente vai entrar em colapso. É de suma importância que a população esteja ainda mais engajada com a vacinação diante do nosso atual cenário”, afirmou opresidente da SBIm, Renato Kfouri.

“Os pediatras têm proximidade com a família como um todo, essa é uma vantagem de influência significativa. Por isso, é crucial que, durante a consulta, sempre exista um espaço reservado para abordar o tema e esclarecer as dúvidas, oferecendo todas explicações necessárias, com ênfase na eficácia e segurança das imunizações”, alertou aos colegas pediatras o o presidente do Departamento Científico de Infectologia da SBP, Marco Aurélio Sáfadi.

Respeitando a obrigatoriedade do distanciamento social e outras medidas preventivas para a COVID-19, como evitar aglomerações, contato entre pessoas doentes e saudáveis, e considerando as boas práticas de higiene individual e coletiva que devem ser mantidas e reforçadas, mantenha a vacinação de seus filhos em dia durante a pandemia.

 

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Jornalista: Paulo Schueler