Uma doença recém descoberta traz inúmeras dúvidas para a comunidade científica, para autoridades, para a sociedade de uma forma geral e para portadores de outras doenças, mais especificamente. Enquanto pesquisas e estudos vão avançando para entender melhor os mecanismos de infecção, respostas que os organismos estão dando, genética, interações medicamentosas e entre doenças pré-existentes, tratamentos, pacientes com outras doenças se perguntam como agir.

Em pacientes de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), e claro de diversas doenças, ainda não se pode ter certeza de quase nada, existem hipóteses e informações baseadas em infecções virais já existentes há mais tempo. São poucos os casos de pessoas com DII e COVID-19, dificultando a orientação a esse grupo de pacientes. O que se tem de mais relevante, baseia-se na maneira que o novo coronavírus infecta células através da Enzima Conversora da Angiotensina 2 (ECA2) que podemos comparar com uma chave que o coronavírus utiliza para invadir as nossas células. Essa enzima está presente em órgãos como pulmão, fígado, intestino, rins, vasos sanguíneos.

Sendo assim, independente do tratamento, os pacientes com colite ulcerativa e doença de Crohn não têm maior risco de infecção com SARS-CoV-2 (coronavírus) do que a população em geral. O risco de infecção é o mesmo.

A porta de entrada do vírus é a enzima conversora da angiotensina-2 (ECA2) que está presente em maiores concentrações no organismo de pessoas portadoras de hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e aterosclerose, por isso esses pacientes são mais vulneráveis à infecção por SARS-CoV-2. Estudos epidemiológicos mostram maior taxa de infecção pela COVID-19 nesses pacientes.

Levantamento do Estadão Saúde traz uma análise de mais de 46 mil pacientes infectados pelo novo coronavírus na China, que mostrou que as condições mais prevalentes foram hipertensão arterial (17%), doença cardíaca e cerebrovascular (16%) e diabete (9,7%). A prevalência dessas condições é maior em idosos, portanto, é possível que idade e doença cardiovascular atuem em conjunto para tornar os cardiopatas mais vulneráveis.

Etiquetas de higiene e isolamento social

Quanto aos medicamentos que conferem imunossupressão, continua o mesmo alerta para pessoas com DII, bons hábitos de higiene redobrados com lavagens das mãos com água e sabão, uso de álcool 70% quando não conseguir lavar as mãos e as etiqueta respiratória ao tossir e/ou espirrar. Importante manter o isolamento social, conversar com seu médico sobre os medicamentos que você está usando, sobre riscos e benefícios. Somente ele pode definir o que é melhor para você. Segundo a Organização Internacional para o Estudo da Doença Inflamatória Intestinal, não se deve abandonar nenhum tratamento sem consentimento médico. Devido à COVID-19 ser uma doença muito recente, as mudanças nas informações podem acontecer rapidamente. Por isso, mantenha-se sempre informado com seu médico.

 

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Jornalista: Rodrigo Pereira