neuronios materia esclerose mutipla 375x225As dúvidas da comunidade científica em torno do novo coronavírus são inúmeras ainda. Os questionamentos aumentam quando de uma avaliação do impacto do Covid-19 em pacientes portadores de outras doenças que exigem um tratamento com imunossupressores ou imunomoduladores como, por exemplo, aqueles com esclerose múltipla. Como agir? Quais as recomendações? Os medicamentos podem ser mantidos ou devem ser suspensos? A dose deve ser ajustada?

Atualmente, não há evidências de como o Covid-19 afeta pessoas com esclerose múltipla (EM). No entanto, pessoas com doenças pulmonares e cardíacas subjacentes e pessoas com mais de 60 anos têm mais chances de sofrer complicações e ficar gravemente doentes com o novo coronavírus.

Considerando que neste grupo há muitas pessoas vivendo com EM, especialmente aquelas com complicações adicionais de saúde, problemas de mobilidade e que fazem algun tratamento, é aconselhado a elas atenção especial às diretrizes para reduzir o risco de infecção com Covid-19. As recomendações da Organização Mundial da Saúde incluem:

Lavar as mãos com frequência com água e sabão ou com álcool em gel;

Evitar tocar nos olhos, nariz e boca, a menos que suas mãos estejam limpas;

Manter-se pelo menos a 1 metro de distância de outras pessoas, principalmente aqueles que tossem e espirram;

Ao tossir e espirrar, cobrir a boca e o nariz com o cotovelo ou tecido dobrado;

Considerar o uso de máscara quando se expor a ambientes aglomerados, especialmente se você faz uso de imunossupressores.

Para além destes cuidados, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla recomenda que as pessoas com a doença evitem reuniões e multidões públicas; evitem usar o transporte público sempre que possível e procurem alternativas às consultas médicas presenciais.

Cuidadores e familiares que moram ou visitam regularmente uma pessoa com EM também devem seguir estas recomendações para reduzir a chance de levar uma infecção para casa.

Conselhos sobre tratamentos para a esclerose múltipla

Muitos tratamentos para esclerose múltipla funcionam suprimindo ou modificando o sistema imunológico. Alguns medicamentos para a EM podem aumentar a probabilidade de desenvolver complicações por uma infecção por Covid-19, mas esse risco precisa ser equilibrado com os riscos de interrupção do tratamento. É recomendado que:

As pessoas com EM atualmente em tratamento, devem continua-lo;

As pessoas que estão com sintomas de Covid-19 ou apresentam resultado positivo para a infecção, devem discutir suas terapias com a EM com seu médico ou outro profissional de saúde familiarizado com seus cuidados;

Aqueles que devem iniciar o tratamento, mas ainda não o fizeram, devem considerar a possibilidade de selecionar um tratamento que não reduza células imunes específicas (linfócitos).

Os exemplos incluem: interferons, acetato de glatiramer ou natalizumab. Os medicamentos que reduzem os linfócitos em intervalos mais longos incluem alemtuzumabe, cladribina, ocrelizumabe e rituximabe.

Os seguintes tratamentos orais podem reduzir a capacidade do sistema imunológico de responder a uma infecção: fingolimode, dimetil fumarato, teriflunomida e siponimod. As pessoas devem considerar cuidadosamente os riscos e benefícios de iniciar esses tratamentos durante a atual pandemia;

As pessoas com EM que estão tomando alemtuzumabe, cladribina, ocrelizumabe, rituximabe, fingolimode, dimetil fumarato, teriflunomida ou siponimode e que vivem em uma comunidade com um surto de COVID-19 devem se isolar o máximo possível para reduzir o risco de infecção;

As recomendações para adiar a segunda ou mais doses de alemtuzumabe, cladribina, ocrelizumabe e rituximabe devido ao surto diferem entre os países. As pessoas que tomam esses medicamentos e devem receber a próxima dose devem consultar seu médico sobre os riscos e benefícios do adiamento do tratamento.

 

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Jornalista: Rodrigo Pereira, com informações da ABEM.