A pandemia do coronavírus avança por todo o mundo, deixando um rastro de quase 180 mil infectados, pelo menos 7 mil mortos. Enquanto todos os olhos estão alertas para a Covid-19, um surto de uma doença já muito conhecida estourou no interior de São Paulo.

 

A Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga registra, de janeiro para cá, 95 casos de cadetes ou civis contaminados com sarampo. A história começou quando um grupo de 20 novos alunos chegou à AFA em 9 de janeiro - em todo o estado, são mais de 170 casos. Daí em diante, o vírus se propagou em rápida velocidade.


Depois de muitos anos sem registro de mortes por sarampo, o Brasil viveu um surto da doença em 2018, com mais de 10 mil casos. Por isso, o país perdeu o certificado de erradicação do vírus. A recém finalizada campanha do Ministério da Saúde tinha a expectativa de vacinar 3 milhões de pessoas entre 5 e 19 anos. Mas, apenas 156 mil crianças e jovens nessa faixa etária foram imunizados em todo o Brasil. As doses contra o sarampo continuam a disposição em todo o país gratuitamente.


Os especialistas estão preocupados pois tanto o sarampo quanto o coronavírus são doenças respiratórias graves, com sintomas muito parecidos, e tem se esforçado para alertar a população sobre a importância da vacinação contra o sarampo (enquanto ainda não existe a imunização para proteger contra coronavírus). Para tirar suas dúvidas, leia abaixo a entrevista com a pediatra Elvira Alonso, da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos:

 

- Quais são os sintomas do sarampo?
Os sintomas do sarampo são tosse, coriza, dor de garganta, febre, irritação na pele, dor de cabeça, dores musculares, mal estar, perda de apetite, olhos inflamados (conjuntivite) e manchas no corpo.


- São parecidos com o do coronavírus?
Na fase inicial os sintomas são similares tendo em ambas as doenças: tosse, coriza, mal estar, dor muscular e dor de garganta.

- Sarampo é considerado mais grave que coronavírus? Qual é a porcentagem de letalidade das duas doenças?
Sarampo é uma doença infecciosa grave, causada por um vírus, e pode ser fatal ou deixar sequelas graves, como cegueira, diminuição da capacidade mental, surdez e retardo do crescimento. Podendo deixar sequelas por toda vida ou causar a morte, principalmente nos menores de 5 anos, pessoas com imunossupressão e desnutridas. Segundo a OMS, ano passado, tivemos cerca de 1.42% de letalidade no mundo, sendo que nos países em desenvolvimento totalizou cerca de 4%. Coronavírus tem em média 2% de letalidade. A única maneira de evitar o sarampo é por meio da vacinação (que é a principal forma de prevenir a doença). A baixa imunização da população brasileira, que diminuiu nos últimos anos, também contribuiu para a volta da circulação do vírus do Sarampo. O sarampo é altamente contagioso; uma pessoa infectada pode transmitir a doença para de 15 a 20 pessoas próximas que não estejam imunizadas.

- Por que me vacinar contra sarampo e influenza me ajuda neste quadro de epidemia de coronavírus?
Apesar de não haver vacina nesse momento aprovada para o coronavírus, quando fazemos a vacina contra o sarampo e influenza, reduzimos o número de pessoas que podem ser infectadas por essas doenças. Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mesmo que a vacina não apresente eficácia contra o coronavírus, é uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as influenzas na triagem e acelerarem o diagnóstico para o novo vírus. O mesmo ocorrendo com o sarampo.

Jornalista: Gabriella Ponte