O sarampo causou cerca de 142 mil óbitos ao redor do mundo em 2018, 14,5% a mais que as 124 mil mortes registradas no ano anterior, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda de acordo com o órgão multilateral, a maioria das vítimas era de crianças com até cinco anos de idade que não havia sido vacinada.

No mesmo período, o número de casos de sarampo aumentou no mundo, havendo surtos registrados em todos os continentes. O número de infecções alcançou cerca de 10 milhões em 2018, alta de 33% sobre 7,5 milhões de casos registrados em 2017.

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreysus lamentou as mortes e defendeu a expansão da cobertura vacinal como melhor estratégia para vencer o sarampo. “O fato de uma criança morrer de uma doença evitável por vacina, como o sarampo, é francamente um ultraje e um fracasso coletivo em proteger as crianças mais vulneráveis do mundo”, afirmou Tedros.

“Para salvar vidas, precisamos garantir que todos possam se beneficiar das vacinas, o que significa investir em imunização e assistência médica de qualidade como um direito para todos”, acrescentou o diretor-geral da OMS.

A Organização Mundial de Saúde informou que os piores impactos do sarampo ocorreram na África Subsaariana - em 2018, os países com maior número de casos foram República Democrática do Congo (RDC), Libéria, Madagáscar e Somália, além da Ucrânia. Quase metade de todos os casos de sarampo no mundo foi registrados apenas nestes cinco países.

De acordo com a OMS, os números até então consolidados para o ano de 2019 indicam resultados ainda piores quando do fechamento do presente ano. Até o último mês de novembro, na comparação com mesmo período de 2018, triplicou o número de casos.

Em 2019, os Estados Unidos registraram o maior número de infecções por sarampo dos últimos 25 anos e quatro países da Europa - Albânia, República Tcheca, Grécia e Reino Unido - perderam o status “livre” de sarampo.

Em conjunto com a Unicef, a OMS informou que as taxas de vacinação em todo o mundo estagnaram por quase uma década e que 86% das crianças do planeta receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo em 2018, e menos ainda – abaixo de 70% delas - receberam a segunda dose recomendada.

 

Jornalista: Paulo Schueler