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Colaboradores de Bio-Manguinhos participaram da primeira rodada do programa Inova Labs Fiocruz, que teve seu demoday dia 12/11. O programa é uma parceria entre o Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit/SCTIE/MS), as Vice-Presidências de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) e de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS) da Fiocruz e a Biominas Brasil e é constituído de 4 rodadas de pré-aceleração de projetos, pesquisas, tecnologias e startups vindas da Fiocruz. Das 21 equipes que participaram da primeira rodada, quatro eram formadas por colaboradores de Bio e uma delas ficou em terceiro lugar, a PreSAgE, junto com a 3Ddoose, de colaboradores de Farmanguinhos e da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde.

PreSAgE é formada pelos pesquisadores do Laboratório de Tecnologia de Anticorpos Monoclonais (Latam) Rodrigo Nunes e Fernando Conte. De maneira rápida e econômica a startup busca identificar alvos específicos em microorganismos causadores de doenças através do uso de informações científicas que são publicadas em revistas científicas e depositadas em bancos de dados internacionais.

“Uma vez identificados os alvos, os pesquisadores (ou empresas) que demandam nossos serviços são capazes de ganhar agilidade nas etapas de P&D, reduzindo custo e tempo em suas pesquisas. Tudo isso se deve à redução do empirismo científico, pois entregamos aos pesquisadores somente os alvos específicos contra os quais necessitam desenvolver respostas em suas pesquisas. Os alvos identificados possuem uma ampla gama de aplicações, abrangendo desde o desenvolvimento de novos kits diagnósticos, imunoterapias e/ou novas vacinas”, explicou Fernando.

Foram 10 semanas intensas de treinamento, onde ensinaram técnicas de apresentação com enfoque para o mercado. “Nos ensinaram, ainda, técnicas de introdução à oratória, propriedade intelectual, precificação de nossos serviços, finanças, análise de mercado, como formalizar uma empresa, contabilidade... Fizemos mentorias de pitch (apresentações curtas para o mercado), propriedade intelectual e de finanças. Tivemos 2 rodadas eliminatórias ao longo destas 10 semanas”, afirmou.

Para finalizar, Fernando conta que ficar em 3º representa que o grupo atingiu um nível de maturidade para em breve ofertar serviços e decolar como startup. “Significa também que estamos entendendo nosso posicionamento como pesquisadores situados em uma instituição como Bio-Manguinhos, que tem o foco em produtos e serviços para o mercado da saúde”. Assista aqui o vídeo em que eles contam mais sobre a experiência e aqui o vídeo sobre os testes diagnósticos de tumores e doenças.

O vice-diretor de Desenvolvimento Tecnológico (VDTEC), Sotiris Missailidis, está feliz com o reconhecimento do programa da Fiocruz. “Dos 15 projetos que ficaram após as primeiras avaliações, 4 eram de Bio. Dois deles estavam entre os finalistas, e um ficou no pódio. Isso foi um sucesso que reflete a natureza inovadora do nosso trabalho. Mais do que isso, reflete a mudança de paradigma nessa nova direção de Bio, aonde empreendedorismo e pensamento fora do padrão não é somente permitido, mas incentivado fortemente”.

Para ele, isso também tem uma outra importância para a Fundação. “Estamos preparando pesquisadores, inovadores, empreendedores, que serão as pessoas que desenvolverão os produtos do amanhã dentro de Bio. Em tempos de financiamento escasso, esses profissionais devem perceber oportunidades em um contexto global competitivo, aonde as soluções podem transpassar os limites do Instituto. Incentivamos a criação de produtos licenciados na indústria farmacêutica para soluções de saúde pública mundial, que podem dar retorno para Bio, tanto dentro da sua missão para contribuir na saúde pública brasileira, quanto como um desenvolvedor competitivo que pode receber royalties pela licença dos seus produtos de alto valor agregado”, explicou o vice-diretor.

Ele destacou que os maiores ganhos para os pesquisadores envolvidos foi receber um treinamento voltado para a área de biotech e que fosse transformador. “O melhor foi o foco de mudar um pesquisador para um pesquisador/empreendedor que pensa no valor do seu produto, em como desenvolver, para quem, porque, e como convencer que seu produto vale a pena ser investido ou incubado. Isso muda o ponto de vista das pessoas, e pode agregar valor na maneira que estamos desenvolvendo dentro da Unidade”, finalizou.

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Demoday

Enquanto a contagem dos pontos era realizada, os vice-presidentes de Pesquisa e Coleções Biológicas, Rodrigo Correia, de Produção e Inovação em Saúde, Marco Krieger, a diretora do Decit/SCTIE/MS, Camile Sachetti e Reinaldo Guimarães, vice-presidente da Abrasco, participaram de um painel moderado por Liliane Carvalho, coordenadora de empreendedorismo da Biominas, para debater sobre a lógica do empreendedorismo e inovação em saúde e o papel da Fiocruz neste processo.

O evento celebrou o encerramento da primeira rodada do programa levando ao palco oito equipes finalistas que apresentaram suas iniciativas/startups para o público e para uma banca de avaliação. Uma oportunidade de mostrar como os pesquisadores Fiocruz inovam em suas tecnologias e na forma de apresentar seus modelos de negócio nas áreas de Oncologia e Emergências Sanitárias.

O segundo lugar ficou com a OmniLAMP, que oferece soluções rápidas para a detecção de dengue, zika e chikungunya. Os pesquisadores são do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) e Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco). Com contagem de pontos acirrada, a OncoID foi a vencedora. A startup presta serviço de diagnóstico preciso e eficaz para o câncer de próstata e sua equipe é do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

O assessor científico sênior de Bio, Akira Homma, foi chamado ao palco por ser considerada uma pessoa inovadora dentro da Fiocruz e ele discursou sobre como a Fundação sempre enfrentou desafios e cresceu, mesmo em tempos difíceis. “O que está acontecendo aqui é fenomenal. Os pesquisadores da Fiocruz e de outras instituições estão se unindo para fortalecer a ciência nacional e criando soluções para problemas enfrentados mundialmente. A Fundação sempre acreditou que as parcerias rendem frutos inovadores e, dessa forma, conseguimos responder com mais rapidez e qualidade às demandas de saúde pública”.

A segunda rodada do treinamento do Inova Labs está com inscrições abertas e traz novidades: além de Emergências Sanitárias e Oncologia, passa a fazer parte do programa a temática Doenças Negligenciadas. As inscrições vão até 1º de dezembro e o treinamento terá início em 3 de fevereiro de 2020.

Conheça um pouco dos outros projetos

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AptaOnco

Sotiris Missailidis e Márcia Arissawa (VDTEC), Carlos Eduardo de Almeida (Instituto de Radioproteção e Dosimetria – CNEN) e Eduardo Krempser (Presidência da Fiocruz) são os membros desse projeto que desenvolve um teragnóstico (um terapêutico com um diagnóstico associado) para câncer de mama, baseado em pesquisa consolidada e prova de princípios em modelos animais.

“A equipe tem nosso CEO, apoiado por especialistas nas áreas do desenvolvimento da molécula, radiomarcação, modelagem computacional, propriedade intelectual e ensaio preclinico. O programa foi bem extenso, contendo mentorias fornecidas pela equipe da Biominas e exemplos reais de startups que já se encontram consolidadas no mercado”, comentou Márcia.

NeOncoVax

Este projeto se trata do desenvolvimento de vacinas terapêuticas para tratamento de tumores e já contava com o financiamento do Inova Fiocruz Jovens Talentos e consta no plano estratégico de Bio-Manguinhos como iniciativa tecnológica. Os membros da equipe são Patrícia Neves (Latam), Nina Barreira (bolsista pelo Inova Fiocruz), Thiago Santos e Juliana Menezes (futura aluna de doutorado). “Contamos com a colaboração Rodrigo Nunes (Latam), Tatiana Tilli, Dante Pagnoncelli, André Ferreira e Ana Paula Anobom (Laboratório de Tecnologia Imunológica/Latim)”.

Para Patrícia, foi fantástico participar do treinamento por promover totalmente uma visão de cultura dos projetos. “O conteúdo é todo baseado em questões de modelagem de negócios, validação de mercado, gestão ágil de projetos e tem uma dinâmica bastante desafiadora, já que toda semana tínhamos tarefas a entregar e principalmente, rodadas de apresentação de 4 min de cada projeto julgada por uma banca. O formato é bem diferente da academia. Então, foi bastante desafiador, mas também recompensador”.

NanoVax

A Nanovax é uma vacina terapêutica que estimula o sistema imune para combater o câncer de mama, evitando os efeitos adversos das terapias atuais. Quem participa desse projeto é Ana Paula Ano Bom, Alessandro Fonseca e Danielle Regina de Almeida de Brito e Cunha (Latim). “O curso foi muito interessante e os projetos que foram selecionados tem grande potencial e são inovadores”, disse Ana Paula.

Alessandro comentou que o conteúdo foi apresentado de maneira didática e imersiva, permitindo aos participantes ter uma visão mais ampla de toda cadeia de mercado. “O principal ganho foi o aprendizado organizacional de uma empresa e a utilização de ferramentas utilizadas para desenvolver todo o processo de abertura de uma startup. Ao que se nota este formato de edital já vem sendo aplicado pelas mais diversas fontes de fomento e ter este conhecimento nos permite pensar em maneiras mais eficazes de fazer com o que se desenvolve nos laboratórios alcance a população”.

Texto e imagens: Gabriella Ponte - Ascom/ Bio-Manguinhos