visita latimer siteA Rede Zika Ciências Sociais trouxe para a Fiocruz a pesquisadora Joanna Latimer, da Universidade de York, do Reino Unido. Sua visita tem a intenção de estabelecer linhas de cooperações com a Fiocruz.

visita latimer siteA Rede Zika Ciências Sociais trouxe para a Fiocruz a pesquisadora Joanna Latimer, da Universidade de York, do Reino Unido. Sua visita tem a intenção de estabelecer linhas de cooperações com a Fiocruz. Em Bio-Manguinhos, ela foi recebida pelo assessor científico sênior, Marcos Freire, e pela assessora da Vice-Diretoria de Produção, Carla Wolanski. Após uma reunião com Freire para trocar informações sobre as duas instituições, a pesquisadora visitou o Centro Henrique Penna (CHP), entendendo melhor como funciona a produção de insumos em saúde realizados na Fiocruz.

Joanna é pesquisadora sênior, com um longo e extenso trabalho de pesquisa na área de cuidados em saúde, cuidado e suas interfaces com estudos sobre ciência. Ela é coordenadora do grupo de pesquisa Science and Technology Studies Unit (SATSU). Recentemente publicou os livros "The gene, the clinic and the family- Diagnosing dysmorphology, reviving medical dominance" e “Intimate Entanglement: Affects, more-than-human intimacies and the politics of relations in science and technology”.

O pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP) e coordenador da Rede Zika Ciências Sociais, Gustavo Matta conta que, em 2018, colaboradores da rede estiveram com ela quando visitaram, junto com a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, a Universidade de York, discutindo parcerias de pesquisa e colaboração. “A vinda de Joanna ao Brasil insere-se nesse registro de estabelecimento de linhas de cooperações, discutindo possibilidades de conhecer outros pesquisadores e unidades da Fiocruz”, ressaltou Matta.

Latimer explicou as quatro linhas de pesquisa da SATSU: “Biomodificação de Vidas”, com pesquisas sobre biopolítica e as intensas relações entre biomedicina, sociedade e espaços de cuidado e afeto; “Vivendo com máquinas”, cujas pesquisas buscam entender as relações e condições do relacionamento entre humanos e máquinas, considerando também como as estruturas, sistemas e processos sociais continuam a ser reelaborados por sua presença; “Mundos Mais do que Humanos”, com pesquisas relacionadas com as interações complexas entre mundos naturais, animais, questões do antropoceno, máquinas digitais e inteligentes, criações de produtos bioculturais, como modelos animais, doenças, micróbios e resíduos resistentes; e “Mundos da ciência: Futuros, passado e presente”, cujas pesquisas estão focadas nas histórias que contamos ou serão contadas, sobre as ciências e como elas influenciam nossa consciência das relações entre ciência, cultura e sociedade.

Segundo Latimer, as pesquisas e o conhecimento científico produzido no âmbito da Bio parecem dialogar com os estudos “Mundos Mais do que Humanos”, principalmente sobre as arboviroses. “As vacinas, os diagnósticos e tudo o que está sendo descoberto e produzido pela Fiocruz [relacionado às arboviroses] nos interessa. Estamos buscando esse tipo de parceria”, comentou.

Marcos Freire comentou sobre o projeto de melhorias da vacina de febre amarela no desenvolvimento de uma vacina inativada, que causa menos eventos adversos. Falou, ainda, dos estudos que estão sendo feitos em macacos para vaciná-los contra febre amarela. “Precisamos entender melhor o meio ambiente, o comportamento dos mosquitos e como os primatas de movimentam. Por isso, nasceu o projeto de Bio-Manguinhos com a Associação Mico Leão Dourado e o Centro de Primatas do Rio de Janeiro (CPRJ). Estamos com um projeto para realização de inquérito sorológico e imunização de Micos Leões Dourados no interior do estado do Rio de Janeiro”, detalhou.

“O fato de vocês estarem preocupados não só com a saúde da população, enfrentando epidemias, mas também com as relações entre humanos e não-humanos, como a questão dos macacos, a febre amarela e a possível extinção de algumas espécies, é louvável. Justamente os pesquisadores preocupados com o meio ambiente são os que buscamos parceria”, complementou a especialista em estudos sociais de ciência e tecnologia. “Por isso, aproveito para convidá-lo para participar de um evento que terá no Reino Unido ano que vem, reunindo pesquisadores do mundo todo, para discutir sobre ecologia e sociedade. Faremos um roadmap com ações que podem ser feitas num cenário de 2 a 4 anos”, indicou Gustavo Matta.


Texto e imagens: Gabriella Ponte