Representantes do Departamento do Complexo Industrial e Serviços da Saúde (Deciss) do BNDES estiveram em Bio-Manguinhos no dia 30. A visita faz parte do escopo de um estudo de avaliação da política e estratégias de biotecnologia no Brasil. O grupo de quatro pessoas – o gerente-substituto do Deciss, Vitor Pimentel, Carla Vilela, Beatriz Meirelles e Adriana Inhudes, integrantes da equipe do BNDES – já conversaram com os principais atores da indústria nacional, incluindo outros laboratórios e órgãos de governo.

Na reunião estavam presentes representantes da Vice-Presidência de Produção e Inovação da Fiocruz (Jorge Carlos da Costa), da Diretoria de Bio-Manguinhos, Coordenação Tecnológica (Cotec), Projeto NCPFI e equipe de Gestão do Conhecimento. A vice-diretora de Gestão e Mercado, Priscila Ferraz, abriu a reunião fazendo uma apresentação completa do trabalho do Instituto, seguida de discussões dos envolvidos acerca do panorama geral dos processos de transferência de tecnologia, da Política de Desenvolvimento Produtivo e seus desdobramentos em Bio-Manguinhos. O projeto do Deciss pretende fazer um balanço dos últimos dez anos da estratégia nacional para medicamentos biotecnológicos, avaliando erros e acertos da estratégia dos laboratórios oficiais, bem como das políticas públicas. “Também queremos avaliar o sucesso das estratégias de internalização de competências, por meio da transferência de tecnologia, co-desenvolvimento ou desenvolvimento interno; a relação entre o setor produtivo e o ecossistema de inovação no Brasil; e a visão de futuro, tanto para Bio-Manguinhos, como para o setor de medicamentos biotecnológicos no Brasil”, explicou Vitor.

Segundo Jorge Carlos, a questão dos medicamentos biotecnológicos é um assunto muito importante para o país, que, devido às melhorias nas condições de saúde, vê sua população ter uma maior longevidade. "Teremos demandas cada vez maiores por medicamentos específicos, e mais caros. Por isso a importância desse trabalho do BNDES, que faz um diagnóstico do presente, mas olhando pro futuro. Temos que ter capacitação humana, tecnológica e de desenvolvimento e hoje, Bio-Manguinhos, dentro do setor de biotecnologia, tem a maior e melhor infraestrutura, além de estar atento ao futuro, construindo modernas plantas industriais", enfatizou.

Antonio Barbosa, da Coordenação Tecnológica, destacou que embora exista uma série de desafios em torno da operacionalização da política de medicamentos biológicos, em função da complexidade de produção desses biofármacos, de necessidades de aperfeiçoamento no marco regulatório e dos investimentos necessários na infraestrutura produtiva para atendimento às demandas do Ministério da Saúde, foram alcançados resultados importantíssimos para o Complexo Econômico da Saúde: “Além da internalização da produção e da ampliação do acesso, ganhos de competências em diversas áreas e inovações incrementais oriundas destes processos de transferência de tecnologia foram alcançados ao longo dos anos. Há um aprendizado contínuo nos processos subjacentes às tecnologias de produção”.

Priscila reafirmou a longa parceria de Bio-Manguinhos com o Banco na discussão em torno de uma estratégia nacional para o Complexo Industrial da Saúde. “O papel dos laboratórios oficiais na produção pública vem se mostrando cada vez mais estratégico para o país, como em recentes respostas às epidemias de febre amarela e sarampo. A Fiocruz cumpre um papel central na operacionalização das políticas públicas de ciência e tecnologia e de ampliação de acesso a insumos e serviços de saúde, nas suas diversas áreas de atuação. O BNDES sempre reconheceu este papel e esteve atuando em parceria com a Fiocruz em uma série de iniciativas de desenvolvimento nacional”. Após a reunião, o grupo conheceu as instalações do Centro Henrique Penna, que recebeu investimentos do Banco destinados aos sistemas de utilidades e à incorporação de plataformas tecnológicas na Planta Piloto.

 

Jornalista: Rodrigo Pereira