O evento, que ocorreu de 4 a 7 de setembro, contou com a participação de colaboradores de Bio-Manguinhos. E já foi anunciada quando será a próxima edição: 14 a 17 de outubro de 2020. O consultor científico sênior de Bio-Manguinhos, Reinaldo Menezes, que faleceu no início desse ano, foi homenageado na abertura do evento.

Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), entidade que promove o encontro, Juarez Cunha afirma que a percepção dos problemas que levaram à baixa nas coberturas vacinais fez com que o tema da jornada fosse "Promovendo o valor das imunizações". Segundo a SBIm, as coberturas abaixo do ideal vêm sendo registradas desde 2015, e isso vem acontecendo de forma multifatorial como a circulação de fake news, a hesitação em se vacinar e a falsa segurança de que as doenças não existem mais.

A hesitação também é alimentada pelo medo. “A rede pública deve estar capacitada para tirar dúvidas do paciente e dar a segurança de que ele precisa. A dificuldade de acesso é outro problema”, diz ele. Outra barreira, segundo ele: “O horário de funcionamento dos postos é restrito e coincide com o período de trabalho de quem precisa se imunizar”.

A especialista em imunização da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), Lely Guzman, aposta na orientação do funcionário que aplica vacinas para esclarecer boatos. “É ele quem deve passar as orientações sobre a eficácia das vacinas e os riscos das doenças, mas para isso é necessário que esteja munido de ferramentas corretas para a sua comunicação”, ressalta.

Promovendo o Valor das Imunizações

Além de ter um estande no evento, Bio-Manguinhos participou ativamente do primeiro dia da programação científica com as mesas “Promovendo o Valor das Imunizações”. Na abertura, a coordenadora da Assessoria Clínica (Asclin), Maria de Lourdes Maia, destacou a dificuldade de gerenciar a imunização em um país continental. “O Brasil faz fronteira com dez países, cuja circulação dos povos é intensa. Foi assim que houve a reintrodução do sarampo no país. Precisamos criar um cinturão para proteger nossa população e enfrentar os desafios da distribuição, armazenamento e administração das vacinas”, colocou a coordenadora.

A primeira mesa debateu sobre como vencer os desafios das baixas coberturas vacinais. Foram apresentados vídeos feitos pelos coordenadores estaduais de imunizações de diversas localidades, que mostravam a realidade de suas regiões e as estratégias utilizadas para combater este problema. “Os vídeos mostraram a realidade da ponta, como por exemplo os estados mais afetados pelo sarampo (Roraima e Amazonas), que falaram sobre esta experiência, de vacinar não só os brasileiros como também os venezuelanos”, apontou Maria de Lourdes que moderou a mesa. Participaram da discussão a então coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, a vice-presidente da SBIm, Isabella Ballalai, e a assessora de vigilância em saúde de Belo Horizonte (MG), Cristina Lemos.

A segunda debateu o tema “Somos responsáveis por garantir a segurança do usuário na sala de vacina?”. A vice-presidente da SBIm, Isabella Ballalai, mostrou a importância da capacitação dos profissionais da ponta para o sucesso das estratégias de vacinação; Patrícia Mouta (Asclin) destacou a segurança na sala de vacinação; Leticia Lignani (Asclin) falou da importância da farmacovigilância em vacinas; e Marco Alberto Medeiros (VDTEC) fechou mostrando como a rede de frio pode impactar na eficácia das vacinas.

A terceira mesa discutiu o valor da comunicação e a primeira palestra foi da pediatra Tania Cristina Petraglia que explicou sobre a comunicação e a confiança entre os profissionais de saúde e pacientes. Sobre a importância de alimentar com dados recentes no SIPNI - Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações, foi convidada a mestre em Saúde Coletiva, Ana Rita Cardoso. Patrícia Mouta (Asclin) conversou com os participantes sobre as verdades e mitos sobre eventos adversos com vacinas, que assustam, pelo desconhecimento e podem impactar contribuindo para a queda das coberturas vacinais. E, por fim, Ricardo Machado coordenador de Comunicação da SBIm, explanou sobre comunicação eficiente e assertiva, mostrando como a população prefere se manter informado mais pelas redes sociais e novas tecnologias, portanto, precisamos incorporá-las no plano de comunicação.

A última mesa foi moderada por Beatriz Fialho, gerente do Bio-Ceará, e debateu sobre a “Sociedade e Saúde no Século XXI”. “Ressaltando o valor do ser humano” foi ministrada pela pediatra Ivana Barreto. “Responsabilidade da Sociedade/Participação popular” foi apresentada por Rogena Weaver, mestre em Saúde Pública. E o assessor científico sênior de Bio, Akira Homma, fechou a mesa debatendo sobre a “Contribuição da Pesquisa Clínica para as imunizações”, não só para o lançamento de novas vacinas como também na melhoria dos produtos já existentes.

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Jornalista: Gabriella Ponte