O País está alarmado com o surto de sarampo. Isto é o que precisa de saber:

 

HÁ QUANTOS CASOS EM PORTUGAL?

Vai em 21 o número de casos confirmados, mas o Instituto Ricardo Jorge ainda está a investigar 11 casos suspeitos. No Hospital de Cascais, um bebé de 13 meses, que não tinha sido vacinado, contagiou na Urgência uma jovem de 17 anos e quatro profissionais de saúde. No início deste mês, a DGS detetou outros seis casos, de quatro bebés com menos de 12 meses, que não estavam vacinados, e de dois jovens adultos, no Algarve e no Norte.

 

O SARAMPO NÃO TINHA SIDO ERRADICADO DE PORTUGAL?

Em 2015, a Organização Mundial de Saúde reconheceu que a doença estava eliminada no nosso País, graças a um programa eficaz de vacinação. Os últimos casos conhecidos em Portugal são de 2005 e a infeção teve sempre origem no estrangeiro.

 

A VACINA É OBRIGATÓRIA?

Foi incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV) em 1974 e deve ser administrada aos 12 meses de idade e reforçada antes de a criança entrar no ensino obrigatório, entre os 5 e os 6 anos. Tal como todas as outras vacinas, não é obrigatória; apenas se exige um termo de responsabilidade aos pais que não cumpram no PNV.

 

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Manchas vermelhas estão entre os sintomas da doença. Imagem: CDC

 

QUEM ESTÁ VACINADO, ESTÁ PROGETIDO?

Sim, está mais protegido, embora a vacinação não garanta uma proteção absoluta. Há casos confirmados de pessoas vacinadas que contraíram a doença.

 

O QUE É A IMUNIDADE DE GRUPO?

Em Portugal, como a taxa de cobertura de vacinação é superior a 95%, a população está protegida. Mas as pessoas que não estão vacinadas fazem aumentar a probabilidade de as outras, vacinadas mas não imunes, poderem também apanhar a doença.

 

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DO SARAMPO?

Febre, congestão nasal, tosse seca e manchas vermelhas no corpo. Ao fim de 3 a 5 dias, causa uma erupção na pele e comichão; começa no rosto e espalha-se para o tronco, braços e pernas.

 

COMO SE TRANSMITE?

Através da respiração, da tosse e dos espirros. O contágio é mais fácil em espaços fechados porque as gotículas com partículas do vírus podem permanecer no ar durante várias horas.

 

O QUE FAZER SE ESTIVER EM CONTACTO COM O VÍRUS?

Se não estiver vacinado, há um espaço temporal de 72 horas para fazer a vacinação.

 

PODE-SE MORRER DE SARAMPO?

O sarampo pode complicar-se com uma infeção bacteriana e evoluir para uma pneumonia. Mais raramente pode provocar uma encefalite, capaz de causar danos cerebrais e até a morte.

 

COMO NASCEU O MOVIMENTO ANTIVACINAÇÃO?

Em 1998, um cirurgião de origem canadiana, Andrew Wakefield, publicou na revista The Lancet um estudo que demonstrava uma pretensa causa-efeito entre a vacina tríplice (sarampo, papeira e rubéola) e o autismo. Veio a provar-se que o estudo era fraudulento mas, entretanto, a teoria já se espalhara nos Estados Unidos e na Europa.

 

VIAJANTES

Alguns países da Europa, África e Ásia, não apresentam uma cobertura vacinal muito ampla contra o sarampo. Neste sentido, recomenda-se que profissionais da área de turismo e viajantes residentes no Brasil, que tenham como destino países pertencentes a outros continentes que não as Américas, procurem um posto de saúde pelo menos quinze dias antes da viagem, para serem vacinados com a tríplice viral

Grande parte da população nascida no final de década de 1980 foi vacinada, mas quem tem mais de 20 anos pode não ter recebido pelo menos uma dose da vacina e, assim, pode estar sujeito à infecção. Por isso é importante que, além dos viajantes que vão para outros países, todos os profissionais dos aeroportos, independentemente da idade, desde os aeroviários e taxistas até quem trabalha dentro das lojas ou das lanchonetes, tomem a vacina, caso não comprovem vacinação prévia contra o sarampo.

Esta mesma orientação também vale para turistas, agentes de viagens, guias turísticos, funcionários dos hotéis e profissionais do sexo. A aplicação da vacina nessas pessoas (uma dose) deve ser realizada principalmente nas cidades que atraem mais turistas estrangeiros, como Rio de Janeiro, Florianópolis e capitais do Nordeste.

A vacina é gratuita e está disponível em qualquer posto de saúde, mas os próprios empresários de turismo, associações ou sindicatos do ramo podem procurar as representações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) das secretarias estaduais de Saúde para elaborar ações de vacinação para grupos específicos.

Os viajantes, independentemente da idade, que se dirigem para outros países situados fora da região das Américas e que não comprovem vacinação prévia contra o sarampo também devem receber  uma dose da vacina. 

 

Fonte: Ministério da Saúde e Visão