conferencia-comunicacao-saude-100x100A Fiocruz promoveu, dia 5 de abril, a Pré-Conferência Livre de Comunicação e Saúde, na Biblioteca de Manguinhos para discutir a relação entre o direito à saúde e o direito à comunicação no Brasil. A 1ª Conferência Nacional Livre de Comunicação em Saúde (CNLCS), que será de 18 a 20 de abril, em Brasília, terá como tema “Direito à informação, garantia de direito à saúde”.

Na abertura do evento, ocorreu o lançamento da Política de Comunicação da Fiocruz, com a presença da presidente da Fundação, Nísia Trindade, do vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Manoel Barral, e Fernando Pigatto, representante do Conselho Nacional de Saúde. O vice-presidente abriu seu discurso enaltecendo o trabalho coletivo entre as unidades para a confecção do documento, que começou em junho de 2015. “Estou aqui expressando o meu desejo de garantir que a política seja devidamente implementada e que todos os profissionais da Fundação que atuam nessa área se apropriem desse documento”, afirmou Manoel Barral.

Nísia Trindade, que participou ativamente da construção da política e do seu amadurecimento, expressou que esta era uma demanda histórica e espera que esta discussão não seja vista de maneira instrumental. “A comunicação pode avançar na área da saúde. É um elemento estruturante da sociedade, das relações humanas. O processo foi altamente democrático e coletivo, estávamos atentos aos diversos atores institucionais. Os espaços de diálogos que abrimos, e sua organização, podem servir como modelo para a discussão de comunicação e saúde em outras ocasiões. Afinal, a comunicação é um bem público e deve ser apropriado por todos. Uma das conquistas que quero destacar é a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, que passou pelos mesmos princípios”, disse a presidente.

Ela anunciou duas conferências que acontecerão este ano e que terão grande participação da Fiocruz: 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, que será realizada de 21 a 24/11; e a 2ª Conferência Nacional de Saúde da Mulher, que ocorrerá de 1º a 4/8. Ambos os eventos serão em Brasília.

 

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Na abertura do evento, ocorreu o lançamento da Política de Comunicação
da Fiocruz. 
Imagem: Fábio Meirelles - Ascom / Bio-Manguinhos

 

Fernando Pigatto fez uma breve apresentação sobre a CNLCS. “O encontro tem como objetivo discutir estratégias de democratização do acesso da população a informações sobre saúde. O resultado esperado é a criação de uma rede de comunicadores que permita à sociedade se informar sobre as ações e serviços do SUS e, dessa forma, terem melhores condições de exercer com plenitude o direito constitucional à saúde. Queremos consolidar uma narrativa em defesa do SUS, a partir de estratégias de disseminação de conteúdo via redes próprias, em contraposição ao discurso negativo da mídia hegemônica”.

 

Debate “Comunicação e o direito à Saúde”

Direito à informação (acesso) + direito à Voz (vocalização) = Direito à Comunicação (equidade, pluralidade). Em cima dessa equação, a professora e pesquisadora do Icict/Fiocruz, Inesita Araujo, fez sua apresentação. “Precisamos encarar esses direitos em caráter de luta. Para isso, é preciso melhorar na linguagem para alcançar todos os públicos; fortalecer a fala institucional nos modos de entendimento da saúde; atuar em grande diversidade de contextos; levar em consideração os canais de expressão da população sendo legitimados pelas instituições; aperfeiçoar a capacidade de ligar com as divergências; e repaginar os modelos comunicacionais mais correntes e que não dão conta atualmente”, enumerou Inesita.

Já Bia Barbosa, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, destacou que o direito à comunicação é uma evolução dos direitos humanos. “Ele não será exercido plenamente se não houver acesso à informação e liberdade de expressão. Há um abismo entre as ações no campo da saúde e da comunicação. A nossa população não entende o papel da comunicação como um direito. A conferência é um espaço importante para levar a democratização da informação a discussões em diferentes níveis e setores da sociedade. É um evento que temos que aproveitar para dar uma resposta frente a alguns fatos que estamos sofrendo nos últimos tempos, de retrocesso e que vão contra ao Marco Civil da Internet, por exemplo. O acesso à internet é fundamental, mas é preciso enaltecer que somente 50% da população brasileira tem esse acesso. Temos que criar mecanismos para falar e alcançar os outros 50% excluídos digitalmente”.

O jornalista e comunicador popular Diego Francisco enalteceu que muitas pessoas nas favelas, segundo seu conhecimento, falam mal do SUS por não conhecer como o sistema funciona e muito dessa opinião vem da mídia e das próprias experiências. As pessoas não entendem seus benefícios e não conhecem seus direitos. Os brasileiros estão morrendo por falta de informação. Não só morrendo por causa de tiro, mas de obesidade mórbida, depressão e diabetes, por exemplo. Porque é uma parcela da população marginalizada e não tem acesso a uma conexão de internet boa ou por não ter condições financeiras de comprar um celular com internet. Precisamos através do jornalismo fazer a diferença, foi com esse objetivo que me graduei nesta área”, finalizou Diego Francisco.

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Jornalista: Gabriella Ponte