A descoberta de macacos mortos em decorrência da febre amarela está mobilizando as autoridades, que já deram início a intensificação da distribuição de vacinas aos municípios.

Diante de toda a gama de informações que vão surgindo, das entidades da saúde pelo País, a Universidade Federal da Bahia (UFBA), realizou nesta última sexta-feira (7), um ciclo de palestras para dissecar tudo o que já aconteceu em relação à enfermidade, e quais são os desafios de agora. 

Os debates aconteceram no auditório do Instituto de Saúde Coletiva da universidade, e reuniu representantes das entidades, e pesquisadores para elaborar um panorama que tem como finalidade desenhar o cenário do combate à febre amarela no Brasil, enfatizando as medidas que estão sendo tomadas, e quais novos resultados a Ciência tem ajudado a concluir para impedir a expansão da doença. 

Um panorama atual do atual surto de febre amarela, transmitida no ciclo silvestre, foi traçado pelo especialista em Vigilância em Saúde do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, Eduardo Hage, destacou o aparecimento da doença em locais onde há muito tempo não se registravam infectados.

“Está acometendo áreas onde não havia circulação do vírus, seja em população humana ou em macacos, também há décadas. Isso inclui o que está acontecendo no Espírito Santo, onde não havia registro de circulação do vírus da febre amarela, no Rio de Janeiro, e aqui na Bahia, onde já tem dez municípios com detecção de epizootias. Então, trata-se de um evento inusitado, que não ocorria há mais de 40 anos”, explica Hage.

 

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Evento reuniu especialistas de renome nacional. Imagem: Divulgação/Abrasco

 

 

Desafios

Já o Dr. Pedro Luiz Tauil, que é professor da Universidade de Brasília (UnB), tratou dos aspectos críticos de combate, além dos riscos da reurbanização. O especialista enfatizou que nem todos os aspectos de combate à proliferação da FA são consensuais: e um dos pontos colocados em questão é a vacinação de toda a população das áreas urbanas, e que podem gerar uma situação de pânico desnecessária e alta demanda pelo antídoto. 

Entre os desafios para agora, segundo o professor, está o de delimitar as áreas receptivas para a transmissão silvestre, além de manter equipes móveis em municípios com recomendação para receber a vacina. Segundo ele, uma das maiores preocupações reside justamente na população rural que já tem um acesso reduzido ao antídoto, e dificuldades para se dirigir a um grande centro urbano a fim de imunizar-se.

Ainda assim, as pesquisas avançam na tentativa de achar alternativas que possam diminuir a proliferação do Aedes Aegypti – vetor capaz de disseminar a doença entre humanos e animais. Segundo Tauil, um estudo está em andamento utilizando mosquitos transgênicos em Piracicaba (SP) e Juazeiro (BA), onde o macho é liberado, mas ao fecundar a fêmea, ela não se desenvolve.

Vai havendo então uma supressão dos mosquitos ao longo do tempo. Mesmo assim, o método é insustentável financeiramente, pois depende de novas aplicações constantemente. Outra pesquisa – esta mais eficiente, explica Tauil – está sendo desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), onde os mosquitos são infectados a bactéria Wolbachia, que é transmitida naturalmente entre os espécimes, sem precisar inseri-la novamente.

Durante a fase de testes em 20 semanas, se constatou que o uso da bactéria dificultava a transmissão do vírus. O resultado animador fez com que a pesquisa chegasse a uma nova fase, agora se fará em áreas maiores, a fim de ver se o impacto na transmissão da doença se repetirá.

 

Avança estudo de antídoto batizado de “Vacina Inativada”

Enquanto análises com mosquitos avançam e a imunização da população é colocada em prática, estudos para a aplicação de um novo antídoto batizado por “Vacina Inativada” continuam como forma de produzir um antídoto sem a possibilidade dos efeitos adversos que ainda ocorrem na atual composição.

Segundo o consultor científico da Fiocruz, Reinaldo Menezes, o que justifica a criação de uma nova vacina não seria falta de eficácia da atual. “A vacina é tão eficaz, que pode ser usada em dose até cinco vezes menor, que protege durante pelo menos um ano. Mas infelizmente, ela tem alguns eventos adversos graves, que são raros, que se estima-se um caso a cada 300 mil doses.

Os efeitos são semelhantes a própria febre amarela. No entanto, Menezes ressalta que a atual vacina continua sendo muito importante como forma de prevenir-se, já que a cada 10 a 20 casos da doença, um deles é grave – um percentual infinitamente maior do que as possibilidades de desenvolver os efeitos, ao se vacinar.

Os estudos, segundo o consultor científico, estão sendo feitos há vários anos, mas ainda estão em fase de pesquisa em animais. Portanto, ainda haverá um longo caminho até que a vacina chegue a sua composição final, e esteja acessível à população.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

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