Diante dos recentes casos de febre amarela silvestre, a Universidade Federal da Bahia (Ufba), sedia nesta sexta-feira (7), um seminário sobre a situação do atual surto no Brasil. O evento, marcado para começar às 9h, acontecerá no auditório do Instituto de Saúde Coletiva, no Canela, e contará com a presença de especialistas de renome nacional, como Eduardo Hage, do Instituto Sul Americano de Governo em Saúde (Isags), Pedro Luís Tauil, da Universidade de Brasília, Pedro Fernando Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas e Reinaldo de Menezes Martins, de Bio-Manguinhos/Fiocruz-RJ, pediatra e consultor científico sênior que tem atendido diariamente a imprensa tirando dúvidas sobre a doença.

Os palestrantes vão tratar de assuntos como a situação atual da doença, aspectos críticos do controle e risco de reurbanização, da definição de áreas de risco na vigilância de epizootias e sobre a vacina 17D e redução de efeitos adversos graves. O evento conta com o apoio da Reitoria e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Para quem não puder comparecer, o seminário será transmitido ao vivo e pode ser assistido através do link http://aovivo.ufba.br/saude.

 

Epizootias cíclicas

O palestrante Eduardo Hage, infectologista e doutor em Saúde Pública, destaca que uma das principais dificuldades da ciência atualmente é entender porque as epizootias (mortes de macacos) acontecem, aparentemente, de maneira cíclica. O último grande evento deste tipo aconteceu há, aproximadamente, dez anos e compreendeu uma área maior do que agora, atingindo primeiro Goiás, Minas, Paraná, Rio Grande do Sul, chegando até as fronteiras da Argentina e Paraguai.

“De lá para cá, vinham acontecendo casos esporádicos, não houve um surto de epizootias na magnitude de agora”, relembra. No último boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), divulgado nesta quinta, foram registrados 133 casos de epizootias em 57 cidades baianas. Desses casos, 18 tiveram confirmação de morte dos animais por febre amarela. Os estudos ainda iniciais sobre as ocorrências de mortes de macacos estão levando em conta a pluviometria (índice de chuvas), a devastação de primatas pelo vírus e o nascimento de novos animais, entre outros fatores.

 

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Evento reunirá especialistas de renome nacional. Imagem: Divulgação/Abrasco

 

Vacinação

Outra dificuldade apontada pelo especialista é a cobertura de imunização em todo o país. A procura nos postos costuma acontecer quando a mídia noticia, mas a vacina é administrada durante todo o ano nos postos. “Minas, por exemplo, é uma área de recomendação de vacinação desde 2003 e a população não procurava a vacina mesmo tendo disponível. Esse comportamento é diferente na Amazônia, que é uma área endêmica, de mata, onde a vacinação já é programada e com alta cobertura por causa dessa cultura de levar as crianças aos postos”, esclarece.

A preocupação quanto à imunização é maior com relação aos homens que, tradicionalmente, não têm o costume de buscar a vacina. “A maioria dos casos suspeitos de febre amarela acontecem em homens trabalhadores que estão na mata. É cultural os homens procurarem menos porque as crianças costumam ser levadas aos postos pela mãe e ela acaba se vacinando junto”, explica a professora do ICS e coordenadora do evento, Maria Glória Teixeira.

Quanto à recomendação de vacinação em dose única, feita nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Saúde, Haze explica que em 2014 a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia relatado que uma única dose era capaz de garantir a imunidade contra o vírus durante toda a vida, não sendo necessária a vacinação a cada 10 anos. No entanto, na época, o governo federal julgou que os estudos ainda não eram suficientes para adotar a decisão da entidade. “Essa avaliação do governo mudou por conta do risco benefício. O fracionamento das doses só deve ocorrer em casos de surtos em grandes cidades”, acredita ele.

O fracionamento de doses aconteceu em 2015, em Angola, durante uma grande epidemia de febre amarela urbana. Com a insuficiência de vacinas, peritos da OMS fizeram testes e concluíram que um quinto da dose normal da vacina era capaz de proteger as pessoas por até um ano ou mais. 

 

Fonte: Correio 24 Horas

 

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