Mesmo que não seja uma doença de notificação obrigatória pelo Ministério da Saúde (MS), o município de Vitória tem programa de controle e já registrou 1.109 notificações de caxumba na cidade. Os dados são desde julho de 2016 a março deste ano. Como um meio de sair na frente da doença, o município começou a monitorar todos os casos, criando uma ficha de notificações para os serviços de saúde.

Muito comum o aumento de registro durante a estação do outono – um período de transição e propício a novos casos -, sobretudo a diminuição das temperaturas e aglomeração de pessoas, a Vigilância Epidemiológica da Capital tem feito campanha em escolas, das redes públicas e privadas. Com o enviou de nota técnica para as instituições de ensino, orienta como proceder e caso de caxumba, forma de prevenção para evitar o contágio.

Um dos métodos para prevenir à doença é a vacinação que é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Vitória as 28 unidades básicas de saúde disponibilizam a imunização. “Em caso suspeito de contato com pessoas com diagnóstico de caxumba nas escolas, os pais devem levar o cartão de vacinação da criança ou do adolescente na unidade de saúde do seu território para verificar a situação vacinal, já que a vacina é seletiva (ver quadro abaixo). Outra orientação é afastar os doentes por 10 dias para evitar disseminação do vírus”, explicou a referência técnica da caxumba em Vitória, Luciene Rossati.

No município da Serra, a Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde recebeu uma notificação no bairro Jardim Tropical, onde havia seis crianças contaminadas. Para acompanhamento, os doentes foram orientados a procurar o serviço de saúde e manter repouso. Como prevenção, na ocasião, foi feito o bloqueio dos casos no bairro, com vacinação em adultos e crianças.

 

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A vacinação com a tríplice viral previne não só a caxumba como também
sarampo e rubéola. Imagem: Bernardo Portella - Ascom / Bio-Manguinhos

 

Em Cariacica, a Secretária de Saúde não realiza o levantamento de casos da doença, já que não é obrigatório. a vacinação também está disponível em todas a unidades de saúde. Na cidade de Guarapari a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que o município não possui casos da doença.

A Secretaria de Estado da Saúde  (Sesa) ressaltou que orientação é imunizar. A vacina contra a doença é a tríplice viral, que protege contra o sarampo, rubéola e caxumba e faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. Ainda de acordo com a Sesa, a indicação do MS é que seja aplicada duas doses da vacina, para pessoas de 12 meses a 29 anos de idade, sendo a primeira dose administrada aos 12 meses.

Para adultos de 30 a 49 anos, a indicação é tomar uma dose. Ainda há a recomendação de aplicação da vacina tetra viral, que deve ser aplicada após a primeira dose da tríplice viral, a partir dos 15 meses até 4 anos de idade. A Secretária ainda destacou que vacina está disponível nas Unidades de Saúde de todos os municípios do Estado.

O médico do Serviço de infectologia do Hospital da Universidade Federal do Espírito Santo, Carlos Urbano, destaca que os principais sintomas da doença são, febre, dor de cabeça e inchaço da região abaixo da orelha (glândulas parótidas). “A transmissão da doença é feita pelo contato e não existe uma medicação eficaz especifica para a doença. O tratamento é feito com medicamentos para diminuir a febre e as dores de cabeça. E a unica forma de evitar a doença é com a vacina. Mesmo assim que tomou a vacina tema chance de adquirir a doença, já que a eficácia é de 95%”, complementou.

A caxumba também pode deixar o doente com inflamações nos testículos e ovários. O infectologista ressalta que uma das complicações da doença é a meningite. “Mesmo assim, os quadros são limitados e se curam. A caxumba não deixa sequelas em quem adquiriu a doença. E quem já foi contagiado pela doença, não corre mais o risco de pegá-la de novo”, destaca.

A indicação, segundo o médico, é que como o contagio é por contato, a pessoa deve ficar em isolamento, pelo menos durante 10 dias.

 

Detalhes da doença

– A caxumba é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus.
– 30 a 40% dos indivíduos infectados apresentam uma infecção inaparente (sem sintomas) e constitui importante papel na disseminação da doença.
– os sintomas são geralmente: febre, dor de cabeça, dor muscular, perda de apetite, edema e aumento de sensibilidade na parótida em um dos lados ou nos dois lados.
– o período de incubação é de 12 a 25 dias. A transmissão se dá pelo contato direto com uma pessoa infectada por meio das gotículas de secreção da orofaringe. Há uma tendência à manifestação epidêmica em escolas e instituições onde há agrupamento de adolescentes e adultos.
– o período de transmissão estende-se de 2 dias antes do início da parotidite até 5 dias após esta data.
– os casos individuais de caxumba não são de notificação compulsória. Surtos de caxumba em instituições fechadas, empresas e escolas são de notificação compulsória e deverão ser notificados à Vigilância Epidemiológica.

 

Fonte: Hanna Carolina / ES Hoje