Pela primeira vez desde a implantação da vacina tetraviral no Programa Nacional de Imunização (PNI), em agosto de 2013, os casos de catapora aumentaram na capital federal. Em 2015, a Secretaria de Saúde notificou 1.579 situações, sete surtos e uma morte. Até outubro do ano passado, 2.016 pessoas adoeceram — alta de 27,6%. No período, ocorreram 19 surtos e um paciente morreu. A catapora (também conhecida como varicela) é altamente contagiosa para aqueles que nunca se vacinaram ou que não tiveram a doença.
 
Apesar do aumento, a Secretaria de Saúde descarta maiores problemas em relação à doença e destaca a cobertura vacinal da cidade, que no ano passado chegou a 92,4% da população. Mais de 41 mil doses foram aplicadas. A imunização, até dezembro, era indicada para crianças acima de 15 meses e menores de 2 anos. A partir deste ano, a idade limite foi estendida para até 4 anos e 11 meses de idade. O sintoma mais característico da catapora são feridas que coçam. A faixa mais acometida é entre 3 e 13 anos. Este ano, já são 34 notificações da doença.
 
O número de doentes, quando comparado com a quantidade de habitantes do DF, evidencia o avanço da catapora. A incidência passou de 63 casos para cada grupo de 100 mil pessoas, em 2015, para 67,7 no ano passado — crescimento de 7,4 pontos percentuais. A última epidemia da doença no DF ocorreu em 2010. “A situação é considerada normal. Os maiores impactos na redução de casos serão sentidos em cinco anos, mas observamos essa tendência. Diminuímos os casos graves e internações”, argumenta a pediatra da Secretaria de Saúde Marília Higino de Carvalho. 
 
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Os sintomas da catapora começam entre 10 e 21 dias após o contágio.
Imagem: Bartosz Budrewicz
 
Atualmente, o Ministério da Saúde disponibiliza apenas uma dose da vacina, o que não é suficiente para a imunização completa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda duas aplicações — como ocorre no Uruguai e nos Estados Unidos, por exemplo. O volume adotado no Brasil previne casos graves e diminui as mortes e internações. A União estuda ampliar a cobertura, mas há dificuldades de compra e produção da insumo. A falha é ligada à matéria-prima.
 
A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, explica que a eficácia de duas vacina é de 97%. Com uma única aplicação, o desempenho varia entre 80% e 90%. Ela ressalta que a cobertura vacinal do DF é abrangente e não justifica o aumento dos casos. “O importante é manter o cartão de vacinação atualizado. Isso minimiza o risco de infecções e de haver casos graves e complicações”, detalha a infectologista e pediatra.
 
Catapora em criança é comum, o preocupante, segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia José David Urbaez, é a infecção na vida adulta. “Nessa faixa etária, os sintomas são potencializados e desencadeiam outros quadros”, adverte. O médico cita como um dos principais agravos a pneumonia. A literatura médica destaca o risco para a encefalite (inflamação do cérebro) e a miocardite (inflamação no coração). 
 
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José analisou os dados de infecções e da cobertura vacinal do DF. As conclusões não justificam a disseminação do vírus. “Pode ter havido uma maior notificação por a vigilância estar mais sensível. Isso acontece com doenças cuja vacina faz parte do PNI. Esse monitoramento pode elevar o número de casos que seriam subnotificados”, esclarece. Ele ressalta a diminuição das internações e mortes na cidade desde a implantação da vacina.
 
Cuidados
 
A catapora é altamente contagiosa. A propagação ocorre de mãe para bebê, durante a gravidez, parto ou amamentação, por gotículas da saliva (tosse ou espirro), por contato com pele ou superfícies contaminadas. Setembro é o mês em que há o maior número de diagnósticos do mal, que ataca mais no período de transição entre o inverno e a primavera. Normalmente, o tratamento envolve o alívio dos sintomas, embora grupos de alto risco possam receber medicamentos antivirais.
 
Fonte: Otávio Augusto / Correio Braziliense
Imagem da home: Bernardo Portella - Ascom / Bio-Manguinhos
 
 

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