Efeitos adversos após aplicação da vacina de vírus atenuado

A manifestação mais frequente é dor no local da aplicação (aproximadamente 4% em adultos, e um pouco menos em crianças pequenas), de curta duração, autolimitada e de intensidade leve ou moderada. Outros componentes da vacina também podem deflagrar reações de hipersensibilidade, embora a maior parte das reações se dê em pessoas com história de alergia a proteínas do ovo. 

Nos últimos anos, uma nova, rara e grave complicação, a Doença Viscerotrópica Aguda (DVA) tem sido descrita envolvendo vacinas contra febre amarela de diferentes fabricantes e cepas. O quadro clínico se assemelha ao da febre amarela selvagem, com início (na primeira semana após a vacinação) de febre, astenia, icterícia, oligúria, instabilidade cardiovascular, hemorragia e necrose hepática (na autópsia).

"O evento adverso mais preocupante é a febre amarela vacinal, ou seja a vacina causar as mesmas complicações que o vírus," reconhece o Dr. André Siqueira. "Nos últimos anos houve mais casos de DVA, mas acredito que é um problema de notificação. Podem acontecer casos da DVA, principalmente em áreas de epidemia, que antigamente não eram identificados como DVA. Ao aumentar a vacinação indistinta, aumenta também o risco de vacinar uma pessoa que tenha ocasionalmente uma imunodeficiência. Até onde sabemos não há nenhuma evidência de que isso aconteça devido a qualquer característica da vacina. É muito mais uma resposta do indivíduo que não consegue conter o vírus atenuado."

odos os casos de DVA no mundo aconteceram após a primeira dose da vacina. Em alguns óbitos ocorridos no Brasil, os dados clínicos e anátomo-patológicos indicaram tratar-se de infecção pelo vírus vacinal sem alteração do genoma viral. A conclusão foi de que a complicação resultou de suscetibilidade individual. As estimativas de risco aproximadas colocam como pior cenário a frequência de 1 óbito para cada 450.000 doses aplicadas.  

Outros eventos adversos são emergências médicas a serem tratadas em unidades de terapia intensiva. Dependendo da gravidade do quadro ele pode gerar contraindicação para doses subsequentes. A investigação clínica e laboratorial é fundamental para a elucidação do diagnóstico etiológico, já que o quadro clínico pode ter múltiplas causas.

 

Eventos adversos da vacinação contra febre amarela

 

Evento adverso EAPV

Descrição

Tempo entre vacinação
e evento adverso

Frequência

Conduta

Observação

Manifestações locais

Dor, eritema e enduração por 1 a 2 dias

1 a 2 dias

~ 4 %

Notificar abscessos, lesões extensas ou com limitação de movimentos e casos não graves muito frequentes. Revacinação é contraindicada

 

Manifestações gerais

Febre, mialgia, cefaleia. Sintomas leves por 1 ou 2 dias

A partir do 3o dia

≤ 4% (menor em revacinados)

Notificar e investigar aglomerados de casos: não contraindica revacinação

Buscar casos em não vacinados

Hipersensibilidade

Urticária, sibilos, laringoespasmo, edema de lábios, hipotensão, choque

Menos de 2 horas

2 por milhão

Notificar, investigar e, se for preciso, tratar ou encaminhar para especialista

Revacinação contraindicada

Encefalite

Febre, meningismo, convulsões, torpor

7 a 21 dias

1 em 22 milhões

Notificar e investigar também outras síndromes neurológicas graves, diagnóstico diferencial

Revacinação contraindicada

Doença viscerotrópica aguda

Síndrome icterohemorrágica

Primeiros 10 dias

Menos de 1 para 450.000 doses

Notificação imediata e coleta urgente de espécimes

Revacinação contraindicada

Fonte: Manual de Vigilância Epidemiológica de eventos adversos pós vacinação. Ministério Saúde (2008)

 

Fonte: Medscape