A confirmação da morte um homem e de dois macacos por febre amarela silvestre no ano passado levou a Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto (SP) a intensificar a vacinação contra o vírus no município.

Morto no final de dezembro, o paciente de 52 anos foi o segundo caso do interior do Estado registrado no ano passado. Ele morava no Anel Viário Sul, próximo à Mata de Santa Tereza, e foi contaminado por não ser vacinado e viver em área com incidência do vírus.

Em maio, um operário de 38 anos morreu da mesma doença em Bady Bassitt (SP), na região de São José do Rio Preto (SP).

Em outubro e dezembro, o Instituto Adolfo Lutz também confirmou que a doença causou a morte de dois macacos encontrados respectivamente em julho, numa praça do Centro de Ribeirão, e em outubro, no Bosque Municipal.

Na região, foram ao menos mais três mortes de macacos: dois em Jaboticabal (SP) e um em Monte Alto (SP) no ano passado.

O último surto de febre amarela silvestre no Estado de São Paulo foi em 2009, com 72 casos e nove mortes confirmadas.

Também foram confirmadas duas mortes pelo vírus em 2008 e mais duas em 2002.

Em relação à forma urbana do vírus, o último registro de surto é de 1942. Desde então, a doença é considerada erradicada no país.

 

carteira de vacinacao

Aposentado vai a posto de saúde para se vacinar contra a febre amarela,
em Ribeirão. Imagem: Reprodução/EPTV

 

Campanha de vacinação

Desde as confirmações, a Secretaria de Saúde intensificou as campanhas de vacinação, visitando prioritariamente as casas na zona rural.

Entre 24 de outubro e 18 de dezembro, 97 mil pessoas procuraram os postos de saúde para receber a vacina. Destas, 40 mil foram vacinadas e as demais estavam em dia, segundo a Divisão de Vigilância Ambiental em Saúde (DVAS).

Ao todo, 95% das crianças foram imunizadas, mas muitos adultos e idosos não procuraram os postos de saúde. Gratuita e sem necessidade de agendamento, a vacina ainda está disponível em 38 salas em unidades de saúde do município.

Como todas as mortes foram causadas pela espécie silvestre da doença, o secretário municipal de Saúde Sandro Scarpelini não considera a situação alarmante, mas orienta a população a combater os criadouros do mosquito Aedes aegypti, um dos vetores do vírus, e a buscar a imunização na rede pública.

“Os estoques de vacina estão adequados no município e as unidades de saúde têm quantidade suficiente para essa intensificação”, diz.

 

Vírus silvestre é comum, diz Vigilância

A mesma orientação é reforçada pela diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Passos. Ela nega que os macacos sejam um risco à população, ainda que existam em grande quantidade e transitem nas áreas urbanas.

Ela acrescenta que a febre amarela silvestre é um vírus comum nas matas de todo o país e não pode ser erradicada. “Nós [Secretaria da Saúde] fazemos o recolhimento dos macacos frequentemente para examiná-los. Essa vigilância é a nossa sentinela da circulação viral”, explica.

Além disso, a transmissão não acontece pelo contato com o macaco, mas geralmente pela picada dos mosquitos Aedes aegypti, Haemagogus e Sabethes - o paciente de Ribeirão morreu pela picada do mosquito Aedes albopictus.

“Não existe transmissão interpessoal do vírus nem transmissão pelo contato com o macaco", afirma o infectologista Fernando Belíssimo.

 

Fonte: G1 Ribeirão e Franca

 

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