No dia 1º/12, foi realizado o VIII Fórum Nacional de Inovação Tecnológica em Saúde no Brasil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ação Responsável no Senado Federal, em Brasília. Artur Couto, diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), foi convidado a participar da mesa técnica do evento e falar da cadeia de inovação da Fiocruz, principalmente, da unidade.

Participaram também da mesa técnica do fórum o médico e assessor do Instituto Butantan, Flávio Vormittag (moderador); Rafael Henrique Rodrigues Moreira, diretor de Tecnologias Inovadoras da Secretaria de Inovação e Novos Negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (SI/MDIC); Fotini Santos Toscas, assessora do Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (SCTIE/MS); Álvaro Abackerli, assessor da presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII); e Gerson José Lourenço Coordenador-Geral do Comitê Executivo do Fórum de Assessorias Parlamentares de Entidades de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação (CTIE).

Um dos principais assuntos debatidos foi o Novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação. A nova legislação reduz obstáculos legais e burocráticos e confere maior flexibilidade às instituições, além de promover uma série de ações para o incentivo à pesquisa, à inovação e ao desenvolvimento científico e tecnológico no país - o que reflete diretamente na área de saúde.

Artur Couto mostrou Bio em números, como o portfólio de produtos do Instituto, exportações, as 12 Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) assinadas, e, dentro da carteira de projetos, são 38 de Desenvolvimento Tecnológico e Transferência de Tecnologia. “Temos uma demanda crescente do Ministério da Saúde e isso impacta diretamente em toda a cadeia produtiva do SUS”, explicou. Por isso, Bio está crescendo institucionalmente com a construção do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (CIBS), em Santa Cruz, e o Centro Tecnológico de Plataformas Vegetais, nova unidade de Bio a ser implantada em Eusébio (Ceará).

 

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 O diretor Artur Couto mostrou os principais números do Instituto.

 

A presença de atividades de produção no interior da Fiocruz demonstra a importância da participação de instituições públicas em toda a cadeia de inovação, ao contrário da visão corrente que restringe suas funções à geração de conhecimento, delegando às empresas privadas toda a responsabilidade pelo componente de inovação. As unidades de produção, Bio-Manguinhos e Farmanguinhos, assumem um papel estratégico de inovação tecnológica. Dentro da cadeia de inovação da Fiocruz, Bio-Manguinhos está envolvido desde a prova de conceito e desenvolvimento experimental dos produtos até a produção industrial e a pós-comercialização, mantendo contato com clientes e mercado.

Para o diretor, ser inovador é investir em pesquisa e desenvolvimento. Desde 2005, foram finalizados ou estão sendo realizados 25 estudos com vacinas; 10 com biofármacos; e outros 3 com reativos para diagnóstico. Ele conta que em 2016 tiveram estudo de coorte com a vacina febre amarela em área não endêmica; estudo do reativo HIV com crianças da Tânzania/África; e estudo Fator de Crescimento Epidérmico do biofármaco Heberprot-P. “As obras do centro de pesquisa clínica em Santa Cruz (Policlínica Lincoln de Freitas Filho) estão terminando. Esse será o segundo centro de pesquisa clínica que entrará em operação no Rio de Janeiro, sendo o primeiro na Tijuca (Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão).

Ele informou, ainda, sobre a inauguração do Centro Henrique Penna (CHP), que acontecerá em dezembro, e se trata de uma planta piloto de protótipos, biofármacos e reativos, construído para a geração de produtos inovadores. “Com relação aos investimentos em biofármaco estamos aquém do resto do mundo. Precisamos de estratégias de como podemos gerar produtos inovadores e enfrentar desafios”.

 

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 "Leva-se cerca de 15 anos para desenvolvermos um produto nosso", disse Artur Couto.

 

Enfrentando desafios

Rafael Henrique (SI/MDIC) mostrou quais segmentos devem ser mais investidos na área de P&D em saúde e as PDPs, principalmente, as dificuldades enfrentadas pelas instituições brasileiras com relação à transferência de tecnologia, além da obsolescência dos equipamentos, tecnologicamente falando, se comparados aos internacionais. Ele apresentou, ainda, as oportunidades no mercado brasileiro na esfera da biodiversidade e biotecnologia e grandes potenciais econômicos do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA).

Fotini Santos (Ministério da Saúde) citou os principais desafios do SUS e destacou que a competitividade industrial do Brasil caiu nos últimos anos com relação ao resto do mundo, assim como o número de citações em pesquisas e quantidade de patentes. Ela mostrou os programas que estão em andamento, como o Programa para o Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (PROCIS). “O programa integra a estratégia nacional de promoção do desenvolvimento e inovação em saúde, por meio de investimento nos produtores públicos e na infraestrutura pública de produção e inovação”, explicou. Ela enumerou os principais desafios do Complexo Industrial da Saúde: “a fragilidade na interação empresa–academia; a dificuldade em estabelecer cultura empreendedora nos ambientes de inovação; transformar conhecimento em inovação; a morosidade nas rotinas nos processos de inovação e viabilizar a transferência de tecnologia; e os transbordamentos tecnológicos e resultados para o SUS”, destacou.

Álvaro Abackerli (EMBRAPII) enalteceu que, entre os principais objetivos da empresa estão o aumento do investimento privado e intensidade tecnológica/conhecimento em inovação no país e diminuir o risco do investimento em inovação, trabalhando com foco em demanda empresarial e buscando um modelo de cooperação flexível e frágil.

Gerson José Lourenço (ForumCTIE), explicou que o fórum se propõe a articular a presença constante e a execução de ações otimizadas em prol do fortalecimento da imagem desse segmento, junto ao Congresso Nacional. Em sua apresentação, analisou todo o processo que culminou na aprovação do Novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Foi um processo aberto de discussão e negociação extremamente rico e demonstrou grande interesse nessa área. Serviu para desburocratizar e minimizar diversos gargalos que existiam”. A derrubada dos vetos e a rápida regulamentação do marco legal significam o fim dos impasses que impediram uma maior parceria entre o setor produtivo e a comunidade científica e novas fontes de financiamento para o setor.

 

Confira todas as fotos do evento aqui e o vídeo da palestra completa de Artur Couto aqui.

 

Jornalista: Gabriella Ponte